Milhares de capivaras morrem na Lagoa Mirim
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de agosto de 1998
Wálmaro Paz Especial para a AE 
Milhares de capivaras estão agonizando e morrendo no trecho de 65 quilômetros do Canal de São Gonçalo, situado entre a Ilha das Moças, em Pelotas (a 252 quilômetros da capital), e a Lagoa Mirim. A denúncia é do presidente da Associação de Pescadores do Canal de São Gonçalo e Afluentes, Alberto Costa, de 40 anos, que vem acompanhando de perto a morte dos animais.
Na semana passada, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) divulgou que as capivaras mortas no Canal de São Gonçalo haviam sido vítimas de caçadores porque 37 delas apresentavam sinais de ferimento a bala e as outras, de um grupo maior de 81, estavam em estado muito adiantado de decomposição para definir a causa da morte.
Porém, os pesquisadores da Universidades Federal (Ufpel) e Católica de Pelotas (Ucpel), que continuaram pesquisando na região, confirmaram as denúncias dos pescadores. O biólogo José Eduardo Chapon de Oliveira, de 55 anos, disse que é a primeira vez que se tem notícia de uma mortandade tão elevada. Segundo ele, o local de maior concentração de animais agonizantes é na Ilha Grande, onde não existe mais vegetação flutuante, que servia de alimento aos roedores, e as águas permanecem há vários dias 3 metros acima do nível normal. A hipótese levantada pelos cientistas gaúchos é de que as mortes tenham sido causadas por fome, hipotermia e enfraquecimento. Além da intoxicação pela ingestão de vegetais tóxicos, como a mamona.
O conselheiro da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), o geneticista Flávio Lewgói, disse que é tempo de o governo criar um órgão dotado de um laboratório de referência e equipamentos de vigilância para detectar, prevenir e analisar esses desastres ambientais, que se tornam cada vez mais comuns.


