Milhares dão adeus a frei Damião
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quarta-feira, 04 de junho de 1997
Agência Estado 
France PresseRomariaO cortejo, de oito quilômetros, foi seguido por fiéis e devotos do freiRECIFE - O corpo do frade capuchinho Damião de Bozzano foi enterrado ontem, às 16h20, no Convento de São Félix de Cantalice, no Pina, no Recife, depois de uma cerimônia de despedida que durou mais de nove horas e teve todos os ingredientes para um espetáculo de fé e emoção.
O ponto alto foi a libertação de 66 pombos - número dos anos que frei Damião viveu pregando no Nordeste - no gramado do estádio do Arruda, ao som do cântico Mamãe estarei, enquanto seu corpo subia, num helicóptero, para ser transportado ao Convento, onde ele morou os últimos anos de vida. Cerca de 40 mil pessoas - segundo a Polícia Militar - ocupavam as arquibancadas e acenavam com lenços ou papéis brancos.
No enterro, sem acesso ao público, o caixão foi colocado no túmulo, no chão da capela do Convento, sob uma chuva de rosas. Frei Damião, considerado santo por parte da população nordestina, morreu no sábado à noite. Seu corpo foi velado até às 6 horas de ontem na Basílica da Penha, no Bairro de São José, sendo visitado por cerca de 200 mil pessoas, de acordo com a Polícia Militar.
Uma missa de corpo presente foi celebrada na Basílica, antes que o esquife seguisse, em um carro do Corpo de Bombeiros, para o estádio do Arruda. Acompanhado pela cavalaria da Polícia Militar e batedores, o cortejo, de oito quilômetros, foi seguido por romeiros e fiéis - a pé ou de bicicleta.
No estádio do Arruda, o caixão foi colocado no centro do campo às 11 horas. O arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, presidiu uma celebração que teve a participação de mais de 200 religiosos e bispos de toda a região. Durante todo o tempo eram entoados os hinos religiosos preferidos de frei Damião, acompanhados por uma sanfona. O vice-presidente Marco Maciel, representando o presidente Fernando Henrique, o governador Miguel Arraes e o prefeito do Recife, Roberto Magalhães, estavam presentes.
Após a missa, dos discursos e da encomendação do corpo, artistas regionais cantaram músicas feitas em homenagem a frei Damião em ritmo de forró e baião. Com capacidade para 80 mil pessoas, o estádio não lotou, como esperavam os capuchinhos. Mas, com medo de não conseguir um lugar, houve quem chegasse ao Arruda na noite de anteontem.
As sandálias que o frei Damião usou em suas peregrinações pelo Nordeste, seu terço e a cruz com a qual abençoava os fiéis, foram ofertadas simbolicamente durante o ofertório, na missa campal. Depois da cerimônia, frei Fernando Rossi, que esteve com o missionário durante 50 anos, doou as sandálias ao médico Blancard Torres, e o terço à enfermeira Mércia Xavier, que cuidavam do religioso desde 1991.
A morte do frade, que chegou ao Brasil em 1931, e tinha um enorme carisma, foi aproveitada para ajudar a recuperar a força da Igreja Católica como instituição. O arcebispo dom José Cardoso afirmou que o evento da despedida teve por objetivo dar um banho espiritual no povo e reforçar a fé na Igreja.
Dom José ressaltou ainda em seu discurso que o frade ensinou que vale a pena optar pela prática dos conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência.


