Berlim, 08 (AE) - Nos anos 50, quando sua economia crescia em termos comparáveis ao setor tecnológico hoje, a Alemanha abriu suas portas à imigração maciça pela primeira vez.
Os "gastarbeiter" (trabalhadores convidados) começaram a chegar em 1955, dos países do Mediterrâneo. O saldo comercial crescia 16% ao ano e os imigrantes eram bem-vistos pela sociedade alemã porque tornavam possível esse milagre econômico. Em 1964, o governo deu uma festa para o milionésimo "gastarbeiter", um português.
Mas a partir da segunda metade daquela década, o ritmo da economia diminuiu e os alemães começaram a sentir o desemprego. Em 1973, com a recessão que resultou da crise do petróleo, o governo acabou com o incentivo oficial à imigração e passou a oferecer bônus para quem quisesse partir. Mas era tarde: ao contrário do que o nome fazia supor, os imigrantes não eram apenas convidados, mas sim residentes permanentes.
Em 1975, havia mais estrangeiros sem emprego do que trabalhando. Nessa época, o termo "gastarbeiter" foi oficialmente substituído por "empregado estrangeiro", indicando que eles deveriam permanecer no país.
O resultado do incentivo à imigração continua sendo sentido. Dos 82 milhões de habitantes da Alemanha, 7,3 milhões são estrangeiros.
O maior contingente é de turcos (2,1 milhões), uma minoria que
apesar de já relativamente integrada à sociedade, sofre a intolerância de grupos neonazistas e xenófobos, muitas vezes com violência.

mockup