Maringá - Quinze de outubro, 14h30. Trinta e nove anos separam o nascimento de mãe e filha. A incrível coincidência é mais um parágrafo de uma história emocionante. Em março deste ano, aos 38 anos, a bióloga Fabricie Marcele Wilbert, de Maringá (Noroeste), descobriu que estava grávida. Solteira, ela imaginava que não teria filhos. Durante os exames do pré-natal, um hemograma alterado chamou a atenção e ela foi diagnosticado com Leucemia Mielóide Crônica.
Teve início então uma história de luta pela vida que até agora está dando certo. Na segunda-feira, no mesmo dia e horário que Fabricie nasceu, chegou ao mundo a pequena Liz, na Santa Casa de Maringá. Logo após o parto foram colhidas células do cordão umbilical da menina, para que, caso haja compatibilidade, possa ser feito um transplante se Fabricie não responder à quimioterapia.
''A Liz é uma benção na minha vida. Graças a ela descobri a doença, já que esse tipo de leucemia não apresenta sintomas, até estar na fase aguda. Desde o dia que descobri estar doente foram muitas orações: para que a doença respondesse ao medicamento, para que a gravidez desse certo, para que a Liz nascesse bem. Com ela aprendi que, não importa o problema, a gente deve pôr nas mãos de Deus e confiar. Estou muito feliz e espero que possamos comemorar esta data juntas por muitos anos'', conta a mamãe, emocionada.
Fabricie explica que a sugestão sobre a coleta e o armazenamento das células do cordão umbilical foi de seu obstetra. ''Ele me falou sobre essa empresa de São Paulo, a CordCell. Eu entrei em contato, eles se interessaram pelo meu caso e tivemos a sorte de nos encaixar no programa social da empresa. Independentemente de eu precisar ou não do transplante, é uma garantia que a minha filha vai ter, porque eu nunca tinha pensado em armazenar essas células'', explica.
O obstetra Maurício Chaves foi quem fez a coleta do material, por já ter experiência anterior. ''Já fizemos outros procedimentos, então não foi necessário vir alguém de lá. Tivemos sorte porque há algumas exigências para poder colher as células, como peso mínimo do bebê ao nascer e tempo adequado de gestação. Mesmo sendo uma gravidez de alto risco, a Fabricie respondeu bem ao tratamento e conseguimos levar (a gravidez) até as 38 semanas'', destaca.
Segundo o médico, a escolha da data do aniversário da mãe foi coincidência. ''Nesta data ela completou o prazo mínimo necessário para fazermos o parto, que aliás estava marcado para as 13h30. Como atrasou, elas acabaram tendo a mesma hora de nascimento também.''
Apesar da leucemia e da mãe ter tomado medicamentos para controlar a doença, Liz nasceu bem, segundo a pediatra Thábata Bertipaglia Pires Guazzelli, que participou do parto. ''Agora faremos um acompanhamento, porque não há estudos sobre os efeitos desses medicamentos nos bebês, mas conseguimos levar a gestação até o momento tranquilo para fazer essa interrupção'', destaca.
Fabricie apenas lamenta não poder amamentar a filha, devido aos medicamentos que tomou e também porque será necessário iniciar a quimioterapia. De acordo com a pediatra, Liz será alimentada com fórmulas infantis. ''Como o estoque de leite materno é muito pequeno, precisamos priorizar os bebês prematuros'', lamentou.
Compatibilidade
Adelson Alves, hematologista e diretor médico da CordCell, explica que o material colhido do cordão umbilical de Liz será encaminhado para São Paulo, onde serão realizados diversos testes, entre eles o de compatibilidade. ''A chance de mãe e filha serem compatíveis é de 25%. A vantagem é que há menor probabilidade de rejeição. Mas é importante lembrarmos que o transplante não é a primeira opção. De toda maneira, o material ficará armazenado e poderá ser usado pelo bebê ou um outro parente, caso necessário.''

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