Mil cidades mais pobres serão mapeadas
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sexta-feira, 15 de agosto de 2003
Luciana Nunes Leal<br> Agência Estado 
Rio - O governo federal lançará no dia 27 o mapeamento das mil cidades mais pobres do País, especificando as principais carências de cada uma. As informações servirão, principalmente, para que empresas interessadas em aderir à rede de responsabilidade social escolham municípios para ''apadrinhar''.
As ações podem variar da doação de alimentos até o combate ao analfabetismo e a geração de emprego e renda. As cidades, localizadas, sobretudo, no Semi-Árido nordestino, são também as primeiras beneficiadas pelo programa Fome Zero. Até outubro, todas deverão estar contempladas no projeto de transferência de renda para as famílias carentes.
''Será como uma lista de casamento; vamos ver o que cada uma dessas cidades prioritárias precisa. Apresentaremos um banco de dados e cada empresa pode escolher que tipo de apoio dará a uma ou mais cidades'', afirmou ontem o assessor especial da Presidência da República Oded Grajew, responsável pelo contato com empresários para articular uma rede de solidariedade no País.
Grajew falou para 150 empresários do Estado do Rio, na unidade do Serviço Social do Comércio (Sesc) na Tijuca, zona norte da capital fluminense. Ele recomendou a adesão a propostas sociais e fez um alerta especial para a necessidade de investimentos voltados aos os jovens: ''Se não houver um grande mutirão pela juventude brasileira, sai de baixo. Não haverá policiamento ou fortalezas que resolvam.'' Grajew aconselhou aos empresários que façam ''enorme pressão sobre todos os governos'' para ter acesso à elaboração dos orçamentos municipais, estaduais ou o federal. ''Orçamentos públicos são uma caixa-preta. São aprovados às 2 horas da manhã e ninguém sabe o que tem lá'', disse. ''Se esperam que o Brasil vá melhorar apenas porque foi eleito Lula ou tal governador, podem tirar o cavalo da chuva. O povo tem de pressionar'', instigou.
''A situação dos programas sociais no Brasil é gravíssima. Há vários programas que não conversam entre si. O cadastro que deveria atingir a população mais pobre é muito comprometido'', disse, indicando aos empresários que também fiscalizem os cadastros sociais para evitar favorecimentos de políticos e cabos eleitorais.
O assessor especial da Presidência disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fica ''angustiado com a falta de recursos'' e, questionado sobre uma possível renegociação da dívida externa, lembrou o compromisso da administração federal de cumprir contratos. ''O governo tentará negociar, mas sempre na base da vontade política, da sensibilização'', respondeu.
Grajew disse que, uma vez decidida a participar de uma rede social, a empresa tem várias opções, como fazer parte de bancos de alimentos, integrar o programa de construção de cisternas na área da seca nordestina, oferecer o primeiro emprego para jovens ou se engajar na mais recente proposição da Assessoria Especial da Presidência: acabar com a ''vergonhosa situação'' de que 1.100 cidades brasileiras não possuem uma biblioteca sequer.


