Nova Délhi, 10 (AE-AP) - Um caça MiG-21 indiano derrubou hoje (10) um avião paquistanês de reconhecimento desatando o temor de uma represália de Islamabad, que informou a morte das 16 pessoas que estavam a bordo da nave.
Segundo o governo indiano, o avião, um Berguet Atlantique, invadiu seu espaço aéreo perto da costa do Estado ocidental de Gujarat às 11h15 locais. A nave foi interceptada por dois MiGs-21 e um deles disparou um míssil contra o Atlantique quando o piloto paquistanês se recusou a aterrissar o avião numa base aérea indiana, informou o Ministério da Defesa da Índia.
No entanto, o Paquistão assegurou que o avião, desarmado, foi derrubado dentro de seu território e acusou a Índia de "assassinato a sangue frio".
"Esta agressão ocasionou o assassinato a sangue frio de 16 pessoas inocentes, que é algo censurável e merece uma dura condenação da comunidade internacional", indicou um comunicado da chancelaria paquistanesa.
"A responsabilidade por este ato perverso e covarde, assim como suas consequências, recaem plenamente sobre a Índia", disse em entrevista coletiva o chanceler paquistanês, Sartaj Aziz, advertindo que "o Paquistão se reserva o direito de levar adiante uma resposta apropriada de defesa própria".
O incidente fez que com aumentasse novamente a tensão entre as duas potências nucleares, que estiveram à beira de uma quarta guerra há poucas semanas. O governo americano manifestou sua preocupação pelo incidente. O porta-voz da Casa Branca, David Leavy, disse que os Estados Unidos exortavam os dois países vizinhos a retomar o processo de normalização de suas relações.
Em maio, a Índia iniciou uma grande ofensiva contra rebeldes separatistas que se haviam infiltrado nas montanhas de Kargil e Batalik, no lado indiano da disputada região da Caxemira. Os combates entre o Exército indiano, os rebeldes e supostos soldados paquistaneses, terminaram em julho quando os intrusos retrocederam para o lado paquistanês da linha de controle, que divide a Caxemira entre a Índia e o Paquistão.
O governo de Islamabad anunciou hoje a expulsão de um diplomata indiano "por atividades incompatíveis com sua condição oficial", uma terminologia usada para referir-se a espionagem. O Paquistão deu o prazo de uma semana para que Maden Mohan Jetty, funcionário da embaixada da Índia abandone o país.

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