Microsoft cai 15,60% e derruba Nasdaq
Nova York, 24 (AE-DOW JONES) - O índice Nasdaq voltou a cair forte, embora tenha recuperado boa parte de suas perdas na última meia hora do pregão. O Nasdaq registrou a décima pior queda em pontos de sua história, 161,40 pontos. Somente neste mês, o índice registrou cinco das dez piores perdas em pontos de sua história. A Microsoft voltou a ser a vilã do setor de tecnologia. As ações da empresa de Bill Gates fecharam com queda de 15,60%, sendo que chegaram a recuar mais de 17% durante a sessão.
Os papéis da Microsoft foram pressionados pelas informações de que a justiça norte-americana estaria considerando a cisão da empresa como punição no processo antitruste perdido pela empresa. De acordo com fontes próximas ao caso, as autoridades pareciam inclinadas a pedir que a Microsoft promova desinvestimento nas operações Office, que abrangem os softwares Word, Excel e Powerpoint. As ações da Microsoft também foram abatidas pela frustração com relação ao resultado de seu balanço trimestral - divulgado na quinta-feira após o fechamento da Bolsa de Nova York.
Por causa das preocupações com relação ao processo antitruste e com o desempenho da empresa, a Goldman Sachs a retirou as ações da companhia de sua lista de recomendação de compra, enquanto que a Lehman Brothers reduziu a meta em doze meses para as ações da companhia para US$ 85,00, de US$ 130,00. O movimento de venda desencadeado pela Microsoft atingiu todo o setor de tecnologia, tanto pequenas como grandes empresas, como: Compaq -5,44%, Dell Computer -4,38%, Hewlett-Packard -5,45%, Qualcomm -9,02%, Yahoo! -7,51% e Amazon.com -4,89%.
Depois de descarregarem as ações de tecnologia, os investidores passaram a vender papéis de outros segmentos, o que pressionou o índice Dow Jones, que chegou a cair 148,61 pontos antes de recuperar-se. E m alguns casos, os fundamentos permitiram que as ações registrassem ganho. Os papéis da American Express, por exemplo, subiram 4,90%, impulsionados pelos lucros divulgados pela empresa. Outras ações do setor financeiro também subiram, apesar de os analistas estarem prevendo uma nova elevação das taxas de juro norte-americanas: J.P. Morgan +2,34% e Morgan Stanley Dean & Witter +3,50%.
Apesar dos índices terem recuperado grande parte de suas perdas ao final da sessão, o maioria dos analistas prefere manter a cautela. Para muitos, essa recuperação ao final da sessão pode não ser um sinal de virada do atual movimento de correção. Os analistas ressaltam que antes de voltar a subir, o Nasdaq ainda tem de testar o nível de resistência do ponto mais baixo registrado recentemente, ou seja, o nível de 3.321,29 pontos, de 14 de abril. Além disso, eles ressaltam que é preciso haver uma mudança no sentimento do mercado, antes que o Nasdaq tome o caminho da recuperação. Para o analista do Banc of America Securities, Thomas McManus, não está descartado um novo declínio nos preços das ações, especialmente no setor de tecnologia, e ele está recomendando seus clientes a cortarem sua exposição no mercado de ações.
O Dow Jones fechou em alta de 62,05 pontos (0,57%), em 10.906 10 pontos. A mínima do dia foi em 10.695,44 pontos e a máxima foi em 10.910,75 pontos. O Nasdaq caiu 161,40 pontos (4,43%), para fechar em 3.482,55 pontos, a mínima ficou em 3.345,25 pontos e a máxima, em 3.496,82 pontos. O Standard & Poors-500 caiu 4,68 pontos (0,33%), para 1.429,86 pontos. O NYSE Composite subiu 2,77 pontos (0,43%), para 642,18 pontos. O volume negociado na NYSE alcançou 865,897 milhões de ações, de 888,077 milhões ontem; 1.272 ações subiram, 1.673 caíram e 470 fecharam sem variação.





