São Francisco, 13 (AE) - A Microsoft anunciou hoje (13) em São Francisco, na Califórnia, não apenas uma nova arquitetura de software mas toda uma nova estratégia para lidar com seu maior problema: a Internet. Trata-se de um plano para dominar o desenvolvimento de software na era pós-PC, estendendo a tecnologia Windows para incluir "blocos de construção" a serem utilizados pelos criadores de serviços de comércio eletrônico e de aplicações baseadas na Web.
Foi para fazer esse anúncio que a Microsoft deslocou para São Francisco ninguém menos que o segundo homem de sua hierarquia de poder, Steve Ballmer, presidente da corporação, e ainda Paul Maritz, o vice-presidente que se ocupa das relações da Microsoft com os desenvolvedores de software. Os dois falaram para mais de cem jornalistas e analistas de indústria reunidos por toda a manhã no Sheraton Palace Hotel.
Objetivamente, a Microsoft lançou a plataforma Windows Distributed interNet Architecture (ou DNA) 2000, que permite aos usuários programar seus serviços na Internet. Por exemplo: a agenda/calendário personalizada por uma usuária vai avisá-la do aniversário do marido, conectá-la automaticamente à sua loja on-line preferida, indicar precisamente os produtos dessa loja que a usuária mais aprecia e, uma vez escolhido o presente, fazer a transferência automática de fundos da conta da usuária para a conta da loja. Para que uma solução desse tipo se realize, é preciso não apenas que a usuária tenha o Windows DNA 2000 na sua máquina, mas também que o website da loja esteja rodando um produto compatível e que o banco seja igualmente envolvido na mesma plataforma de software.
Na conversa de hoje com a imprensa, Ballmer e Maritz garantiram que os usuários de Windows não serão os únicos a se beneficiar dessa tecnologia, que seria também acessível a usuários de Macintosh ou de Unix. Mas advertiram que o desempenho deverá ser pior em outros sistemas operacionais.
De qualquer forma, a grande guinada subjacente a esse anúncio - que inclui o software AppCenter para servidores, específico para aplicações destinadas à Internet construídas para o sistema operacional Windows 2000, ainda não disponível - consiste no distanciamento da empresa em relação ao mundo centrado no computador pessoal, no qual a Microsoft exerce um virtual monopólio.
A nova estratégia reconhece que a Internet, e não os PCs isolados, é o novo alvo dos desenvolvedores de software, que são a pedra fundamental do império construído por Bill Gates. Ainda não está claro, porém, se a empresa vai conseguir estabelecer laços técnicos entre a Web e o Windows de forma a preservar sua posição privilegiada na indústria de software. O que está em jogo, afinal, é nada menos que a dominação da infraestrutura de software da crescente economia digital.

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