No dia seguinte, porém, em Itirapina, cidade a cerca de 200 km de São Paulo, Suzana é uma jovem alegre que, aos gritos de felicidade, reencontra amigos, em cuja casa ficou ao sair da cadeia em 2005. Ela é orientada pelos advogados a chorar e dizer que não quer mais falar nada. O que eles não sabem, porém, é que o microfone está aberto, registrando tudo o que conversam.
Barni: ''Fala que eu não vejo. Chora''.
Suzane: ''Não vou conseguir''.
Barni: ''Você está feliz? Então você está feliz. Está feliz? Acabou''.
De mãos dadas com Vera, mulher de Barni, conta que, de vez em quando, passa os finais de semana na casa da amiga Lu, com os pais dela. Negou que teria ficado lá ao sair da cadeia e depois olha para Vera, da mesma maneira que fazia com o marido dela, na véspera.
Novamente a equipe aguarda a continuação da entrevista, com microfone aberto e registra uma voz masculina orientando Suzane, o que deve falar do ex-namorado e como se comportar diante da câmera. ''Acabou. Mais nada. Começa a chorar e fala: Não quero falar mais... o que ele mandava... ele mandava, sempre pedindo que se eu o amasse, era para fazer... e pelo amor de Deus, não quero mais tocar nesse assunto, que me faz muito mal. E chega''. Perito criminal consultado pelo Fantástico identifica a voz como sendo do advogado Mário Sérgio de Oliveira, que também está na casa durante essa entrevista.
O final é dramático, com Suzane afirmando: ''Eu não quero, por favor... Nossa! Ontem eu fiquei super ruim, foi super ruim. Foi super, super. Eu passei muito mal de noite... Por favor... Toda vez que eu falo isso, nossa, dói muito em mim. Dói muito lembrar da minha mãe, lembrar do meu pai, e ter que estar falando, ter que estar lembrando, ter que estar lembrando daquele maldito de novo...''
Estrategicamente, ela abraça primeiro o advogado Mário Sérgio de Oliveira, chorando copiosamente, mas sem lágrimas. Depois é aparada por Vera e pelo marido que dá a entrevista por terminada.
O juiz Richard Francisco Chequini, do Tribunal do Júri de São Paulo, determinou ontem a prisão de Suzane, acatando pedido do promotor Roberto Tardelli. Para o promotor, após pedir à Justiça para tomar conta do patrimônio dos pais, Suzane passou a representar ameaça de vida ao irmão, Andreas, que cuida dos bens da família.(O.F./A.E.)

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