Microempresários comemoram com desconfiança
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de outubro de 1999
Por Isabel Braga e Cláudia Diani 
Brasília, 05 (AE) - Os microempresários comemoraram as medidas apresentadas hoje pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, em solenidade no Planalto, mas não esconderam uma certa desconfiança na concretização das mudanças. "Temos de parar de fazer teatro e fazer coisas de verdade", cobrou Valdir da Silva
dono de uma malharia em Santa Catarina. "O programa é bom, mas é preciso competência para fazer funcionar", acrescentou o diretor da Centrais de Abastecimento de São Paulo (Ceagesp), Miguel Apolônio.
Segundo Apolônio, as medidas, se cumpridas, conseguirão atingir, em curto prazo, os microempresários do setor de abastecimento de hortifrutigranjeiros. Para ele, a medida mais importante do pacote batizado de Programa Brasil Empreendedor é a criação do Fundo de Aval para a geração de emprego e renda, com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). "Significa capital de giro, que é o que mais precisamos", argumentou. "A medida veio tarde, mas antes tarde do que nunca." Para Valdir da Silva, de Santa Catarina, não adianta o governo lançar medidas, se elas não forem atendidas pelos "terceiros e quartos escalões dos bancos". "Pode até ser que o presidente Fernando Henrique queira fazer, mas o gerente do banco não acata", queixou-se. Valdir possui R$ 40 mil em débitos fiscais e considerou boa a idéia do governo de vincular o pagamento das dívidas à receita da empresa.
Munido de uma bandeira do Pará, que segurou durante as quase duas horas de solenidade no Planalto, o presidente da Associação das Micro e Pequenas Empresas do Pará, David Pontes, quer que os Estados também participem do programa. "O governo Federal apresentou boas medidas, mas é preciso que os Estados reduzam a carga de impostos, que é muito perversa para os pequenos." O pequeno empresário Galvão Domingos, presidente da Associação Comercial e Industrial de Taguatinga, está cadastrado no Cadin. Para ele, a liberação de créditos aos inadimplentes é "uma luta antiga" dos pequenos empresários. "Na hora de pedir crédito, são exigidos cadastros e coisas que o pequeno empresário não tem", disse. Galvão acrescentou que as medidas, principalmente a negociação das dívidas fiscais, vão aliviar a situação das pequenas e microempresas. "Vamos poder voltar a investir e gerar empregos."


