Londres, 27 (AE-REUTERS) - Algum dia um microchip de silício poderá substituir injeções dolorosas, pílulas difíceis de engolir e todos os remédios de gosto desagradável.
Em vez de carregar o chip com informações, os cientistas planejam carregar o chip minúsculo com drogas. Em seguida, o dispositivo poderia ser engolido ou implantado sob a pele do paciente e programado para liberar quantidades muito pequenas de drogas em horários ou datas precisos.
Isso pode parecer algo muito distante, mas os pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) afirmam que o "tablete inteligente" - ou a "farmácia em um chip" - poderá ser uma realidade em breve. "É um sistema de liberação de drogas, mas poderia ser usado para qualquer coisa", declarou o cientista Robert Langer à Reuters.
O protótipo que ele desenvolveu, trabalhando em parceria com John Santini e Michael Cima, poderia ser usado, um dia, para aplicar analgésicos ou drogas contra o câncer, em testes para diagnóstico médico, em jóias - para fazê-las exalar perfume - ou em qualquer caso em que fosse necessário aplicar uma ou mais susbtâncias químicas em quantidades específicas e em horários específicos.
Poderá ser possível criar até mesmo um microchip capaz de fazer a televisão exalar odores. As cenas marítimas poderiam ser acompanhadas do cheiro de maresia e as cenas de jardins poderiam exalar aromas florais.
"Esse é um protótipo que um dia poderia tornar essas coisas possíveis", ressaltou Lange, professor de engenharia química e bioquímica do MIT.
Em carta publicada nesta quarta-feira (27) no jornal científico Nature, os cientistas descreveram os testes que fizeram com um microchip no estado sólido, do tamanho de uma moeda de 10 centavos de dólar. Ele tinha 34 reservatórios minúsculos, com capacidade para 25 nanolitros de substâncias químicas em forma sólida, líquida ou gel. Um nanolitro corresponde a 1 milésimo milionésimo de litro. Segundo os pesquisadores, o tamanho do chip poderá ser ainda mais reduzido.

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