Microcefalia não justifica aborto, diz CNBB
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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
Guilherme Brendler<br>Folhapress 
São Paulo - O secretário-geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e bispo auxiliar de Brasília, dom Leonardo Steiner, comentou os resultados da pesquisa Datafolha sobre aborto em caso de microcefalia. De acordo com o levantamento, 58% dos entrevistados afirmam que mulheres infectadas pelo vírus zika não deveriam ter permissão para abortar. A maioria também mantém a postura mesmo em casos de confirmação de que o bebê terá microcefalia.
Para dom Leonardo, há um senso maior de humanidade entre os mais pobres. A pesquisa Datafolha apontou que o direito ao aborto -no caso de bebês com a má-formação comprovado- só tem a defesa majoritária entre brasileiros com escolaridade superior ou com renda familiar acima de cinco salários mínimos. Na opinião dele, há um maior cuidado com a vida entre as famílias de renda menor. "Trabalhando no meio dos pobres a gente sente essa receptividade. Não que não haja no meio dos ricos, a gente sente isso também, mas na nossa sociedade dominada pela ciência técnica, não se gosta muito de lidar com a finitude humana, isso é uma verdade", disse. "A pesquisa mostra que as pessoas têm sensibilidade para a vida humana. É extraordinário ver quantas pessoas têm sensibilidade para a questão da finitude humana", disse dom Leonardo à reportagem. O secretário-geral da CNBB disse ainda que as crianças com microcefalia não deixam de ser humanas. "Elas são humanas e talvez despertem em nós muito mais a nossa humanidade porque exigem mais cuidado, mais preocupação", afirmou.
PESQUISA ANTERIOR
Em novembro do ano passado, o Datafolha realizou outra pesquisa sobre o tema, especificamente a respeito da legislação do aborto de um modo geral, sem estar relacionado a essas doenças. Na ocasião, 67% defendiam manter a punição à prática, contra 16% que eram favoráveis à ampliação do aborto legal para mais situações e 11% que defendiam a prática em qualquer hipótese. Dom Leonardo Steiner disse que não é possível identificar uma queda no número de pessoas que desaprova o aborto. "São pesquisas diferentes. A segunda pesquisa (publicada ontem) tem um objetivo muito preciso diante de uma realidade que está ali e que a população está muito preocupada. Não vejo como fazer uma comparação entre as duas pesquisas." Para dom Leonardo, "a população está apreensiva diante do surto que existe, então é muito importante que diante mesmo dessa quase epidemia que tantas pessoas tenham consciência da preservação da vida humana, que a vida humana não pode ser descartada".


