As férias chegaram ao fim e é hora de cuidar dos eventuais danos da temporada de praia e piscina. Segundo levantamento da Secretaria de Estado da Saúde, as consultas com dermatologistas aumentam cerca de 20% nesta época do ano, na comparação com os demais meses. E não são as manchas na pele as responsáveis pelo aumento dessa demanda. O principal motivo de queixa dos veranistas é a micose.
De acordo com Marcello Bellini, dermatologista e professor da Sociedade Brasileira de Medicina Estética, as micoses são classificadas em superficiais, localizadas na camada externa na pele. ‘‘Elas não costumam causar maiores problemas para a saúde e são fáceis de tratar’’. Entre as micoses superficiais está a micose de praia, ou pitiríase versicolor. ‘‘Esse mal, ao contrário do que se pensa, não é adquirido na praia. O fungo causador da micose (Malassezia furfur) habita a pele de todas as pessoas, mas somente aquelas que já têm predisposição genética, quando submetidas a determinadas condições, desenvolvem a doença’’, explica Bellini.
As células de pigmentação são prejudicadas pelo fungo da micose e, assim essa região não se bronzeia. ‘‘Acabam aparecendo manchas claras. Por isso, o paciente descobre que tem micose depois de ter ido à praia ou piscina. Mas isso não quer dizer que a pessoa pegou o fungo exatamente nos locais em que esteve’’, diz Bellini.
Para evitar que isso aconteça, o dermatologista aconselha seus pacientes a evitar o uso de protetores e bronzeadores à base de óleo e cremes de cabelo, que podem escorrer pelo corpo, pois o tratamento, apesar de ser rápido, apenas torna o fungo inativo.
As micoses mais profundas são adquiridas em praias e piscinas e seu tratamento é mais longo. ‘‘É o caso das tineas e dermatofitoses, que podem aparecer nas virilhas, mãos, pés e unhas (onicomicoses)’’, avisa Bellini.
Para que isso não aconteça Rosanna Nocito, médica dermatologista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda que as pessoas tomem banho assim que chegarem da praia/piscina. ‘‘Também é importante não andar descalço, pois as fezes de animais deixadas na areia da praia contêm parasitas que podem penetrar na pele humana’’, diz. O uso de sandálias e chinelos evita o contágio com os indesejáveis bichos de pé e geográfico.

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