Mickey Mouse ataca mais uma vez na Europa Do correspondente Gilles Lapouge
Paris, 30 (AE) - Mickey Mouse ataca de novo. Sete anos depois de ter inaugurado em Marne La Vallée, perto de Paris, a enorme Disneylândia, Mickey vai duplicar seu "reino encantado" na França. Um segundo parque temático será construído perto do primeiro e deverá ser inaugurado na primavera do ano 2002.
O primeiro parque era clássico: cidades do Velho Oeste, habilidade de aventureiros e pistoleiros, trens vertiginosos, contos de fadas, Pinocchio, Índios, Donald, Minnie... O novo espaço, que ocupará 25 hectares, será mais especializado: o cinema, a televisão e o desenho animado. Para os adolescentes serão abertos os "bastidores" das artes, do cinema e do audiovisual. Passar do outro lado dos cenários e da câmera ao mesmo tempo; assim se confirma que a EuroDisney conseguiu dar o seu golpe.
Apesar disso, seu início foi cambaleante. O público mostrou-se descontente com suas diversões, muito radicalmente americanas (Coca-Cola, hamburgeres... nada de vinho tinto!). A tal ponto que, em 1994, o Parque de Marne la Vallée esteve a ponto de fechar suas portas.
Desastre financeiro! E com esta lição, que repercutiu em todos os quadrantes: "Decididamente, a cultura americana não pega na Europa, sobretudo na França".
Mas a empresa-matriz (a Walt Disney Company) decidiu ir em frente.
Concordou com o funcionamento do Parque de Marne la Vallée sem o pagamento de "royalties" esmagadores. Foi nomeado um diretor francês, que adaptou o modelo Mickey à cultura européia. E a tendência se inverteu.
O desastre inicial transformou-se em triunfo: no ano passado, o Parque acolheu 13 milhões de visitantes europeus e seu faturamento atingiu um bilhão de dólares. É por isso que está sendo lançada uma segunda etapa: a zona do cinema.
O investimento é colossal: um bilhão de dólares, 5.000 empregos criados, inclusive 1.500 diretos. A EuroDisney compromete-se a um esforço de formação: 1.000 jovens por ano, durante três anos, serão iniciados nas atividades do turismo. Outros jovens receberão formação para o cinema. Enormes obras de infra-estrutura (estradas, metrô) serão empreendidas ou completadas. Em resumo, com seus seis soberbos hotéis, o conjunto Mickey formará uma verdadeira cidade hiper-moderna e lúdica.
Há sete anos, por ocasião da abertura do primeiro parque, os intelectuais franceses lançaram uma "barragem de tiros" contra a sub-cultura americana, contra estes "cowboys" que vinham poluir o incomparável país de Racine, de la Fontaine, de Honoré de Balzac e de Gustave Flaubert.
Ora, estranhamente, enquanto neste final de 1999 a rabugice francesa é mais forte do que nunca contra os comerciantes ou os financistas americanos, o clã dos intelectuais e dos antiamericanos nem se mexe na questão de Mickey. Os poderes públicos se alegram, o ministro socialista das Finanças, Strauss-Kahn, o ministro comunista dos Transportes, Jean Claude Gayssot, só têm palavras cheias de entusiasmo para cantar as virtudes intelectuais de Mickey ou de Pluto.
Podemos compreender estes ministros. O Parque Mickey é um presente inesperado. Em 2002, os dois parques terão criado 30 mil empregos indiretos e 10 mil diretos. A região recebeu quase dois bilhões de dólares em 1997. Mickey pagou 200 milhões de dólares de impostos em 1998. É compreensível que um ministro das Finanças não contenha seu entusiasmo diante de tão grande milagre. O estranho é que este sucesso comercial não se traduz por uma boa saúde financeira. A rentabilidade da EuroDisney é fraca (290 milhões de francos de lucros em 1998) e suas dívidas continuam pesadas (mais de dois bilhões de dólares). As ações da Mickey, que valiam 32 francos em 1989, não valem hoje mais do que 8 francos . O motivo: o "pequeno" acionista é depenado pelo "grande": "É uma companhia na qual não convém ser minoritário", explica um despeitado especulador da Bolsa. "A armação financeira é tão grande que a casa matriz, a Walt Disney Company, fica com os lucros antes de todo o mundo".





