Ele é o imperador, herdeiro de uma dinastia de mais de 2 mil anos. Mas é ela, uma ex-plebéia, quem ocupa o papel principal quando o assunto é carisma e contato com a população. Sempre sorrindo, acenando, aplaudindo e procurando chegar mais perto de quem quer vê-la, a imperatriz Michiko deixou o Paraná carregada de adjetivos pronunciados por autoridades e pelo povo.
‘‘Ela é extremamente delicada’’, disse o prefeito Cássio Taniguchi. Da poetisa Helena Kolody, a imperatriz recebeu pessoalmente, ontem, o elogio de que ‘‘é linda, uma verdadeira rainha’’. ‘‘Nunca vi alguém tão importante ser tão simpática’’, disse a contadora Celina Iamasita, que foi ver o casal no Jardim Botânico. ‘‘Ela parece uma boneca de porcelana’’, definiu o microempresário Antônio Oikiewski, ontem pela manhã, no aeroporto.
Aos 63 anos de idade, a imperatriz é uma mulher culta, que fala inglês fluente, aprecia música e literatura. Mas parece simples e em todos os compromissos que cumpriu no Paraná, quebrou o protocolo em nome da simpatia. Conversou com crianças e idosos no aeroporto e no Palácio de Hyogo, onde pediu desculpas pelo ‘‘trabalho’’ que julgou estar dando à comunidade. Abaixou-se para socorrer um fotógrafo japonês que caiu, na chegada no Aeroporto Afonso Pena e voltou a se abaixar para tocar um pé de alface na chácara do produtor Hiroshi Atsumi, e teve a preocupação de saber dele se os agricultores não sentiam dores nas costas.
Na saída do Jardim Botânico, parou para falar com o estudante Francisco Nilo Oyama, que atuava como recepcionista, e elogiou a beleza da festa. Durante as homenagens no Parque Barigui, foi Michiko quem, por duas vezes, ‘‘puxou’’ os aplausos para os grupos étnicos que se apresentavam. Quando as crianças cantaram a canção de ninar composta por ela, acompanhou os movimentos da música com a cabeça.
A imperatriz só não pôde evitar um breve acesso de tosse, durante a execução do Hino Nacional brasileiro. Mas segundo o prefeito Cássio Taniguchi, Michiko manteve a delicadeza ao explicar, durante o almoço de sábado, que a tosse não se deveu ao clima frio de Curitiba. ‘‘Ela fez questão de dizer que está com gripe desde março’’, contou o prefeito.
Elegante e discreta, a imperatriz também não demonstrou frio em nenhuma oportunidade, apesar de usar sempre roupas leves para enfrentar o vento forte e temperaturas baixas. Simples, variou as roupas mas usou todos os dias o mesmo par de sapatos.
Ontem, ao deixar o Farol do Saber, a imperatriz voltou-se para os integrantes do cerimonial e encaminhou um recado de última hora: ‘‘Mandem lembranças para a poetisa que conheci’’ - alusão a Helena Kolody, com quem conversara minutos antes. E foi de Michiko a última imagem que os paranaenses guardaram da visita imperial. O marido, Akihito, entrou no Jumbo que os levou ao Rio de Janeiro, mas ela atrasou mais alguns minutos a partida para ficar, no alto da escada, dando os últimos acenos.

mockup