Michelotto volta a criticar Gaeco
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terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - A queda de braço entre o Ministério Público do Paraná (MPPR) e o governo estadual teve mais um "round" na tarde de ontem. Falando pela primeira vez desde que deixou a carceragem do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) no último domingo, depois de ficar preso por cinco dias, o ex-delegado geral da Polícia Civil do Paraná, Marcus Vinicius Michelotto, criticou duramente o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e a operação desencadeada na semana passada, de combate ao jogo ilegal na capital. Na ação, ele e outros três policiais civis, cinco policiais militares, além de quatro pessoas que não são agentes públicos, foram detidos. O caso está sob segredo de Justiça.
O delegado, que agora está à frente da Divisão de Polícia Especializada, afirmou que o Gaeco se pautou por meio de depoimentos de policiais marginalizados e que não existem provas concretas contra ele. Para Michelotto, a intenção dos promotores com a operação é, de alguma forma, atacar o governo do Estado. "Para mim foram desencavar e manipular algumas provas que pudessem chegar a mim para usar agora, nesta época em que está acontecendo esse confronto entre MP e governo estadual. Tenho 20 anos de história dentro da polícia, uma grande carreira, não sou ladrão, não sou corrupto. Então é certo que essa ação foi realizada com interesses institucionais", ressaltou.
A relação entre a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) e MPPR está estremecida desde agosto, quando foi anunciada a implantação de um sistema de rodízio para substituir, a cada dois anos, policiais civis e militares que atuam no Gaeco.
O Gaeco, por sua vez, pediu ao Conselho do MPPR que revogasse a licença do secretário Cid Vasques, que também é procurador da Justiça.
As investigações do Gaeco foram motivadas por uma operação realizada em janeiro de 2012 por policiais civis descontentes com as condições de trabalho. Um grupo deles invadiu uma mansão localizada no bairro Parolin, em Curitiba, onde funcionava um cassino clandestino. Na época Michelotto condenou a ação.
O ex-delegado geral negou qualquer relação com o jogo ilegal. "Quando aquele grupo invadiu aquela casa estávamos discutindo a questão salarial da categoria com o governo. Fizeram isso para dizer que existem locais de contravenção funcionando e que a polícia não faz nada", disse.
Gaeco
Em coletiva na tarde de ontem, promotores do Gaeco reforçaram que a operação contra o jogo ilegal não tem nenhuma relação com qualquer guerra institucional ou questões políticas. Na última terça-feira, dia da operação e da prisão dos policiais, o Conselho Superior do MPPR iria julgar o pedido de renovação da licença de Cid Vasques, feito pelo governador do Estado. Entretanto o julgamento foi adiado para hoje. Segundo o coordenador do Gaeco em Curitiba, Denílson Soares de Almeida, ainda que houvesse a votação do conselho, isso não seria levado em consideração. "Se a operação tivesse ocorrido um dia antes, iriam dizer que foi pressão. Se ocorresse um dia depois seria uma forma de retaliação. Então sempre haveria um motivo para tentar politizar uma medida técnica de investigação", explicou.


