Paris, 09 (AE) - O Grupo Michelin anunciou hoje um plano de reestruturação que prevê a demissão de 10% de seus funcionários na Europa em três anos. Isso corresponde à supressão de 7.500 empregos. Nos últimos 15 anos, a empresa suprimiu 15 mil vagas. Simultaneamente, o presidente da empresa, Edouard Michelin, informou que o lucro líquido cresceu 17,3% no primeiro semestre, equivalente a US$ 307,8 milhões.
O mercado reagiu bem à decisão. As ações da empresa fecharam em alta de 12,6%, para 47,75 euros, na Bolsa de Valores de Paris. Um comunicado da Michelin explica que as demissões fazem parte da estratégia de reforçar a competitividade na Europa. A empresa quer manter a posição de número um no ramo de pneus no continente com a melhora de 20% na produtividade.
Reação - O anúncio do lucro e das demissões provocaram protesto de entidades sindicais. "Quanto mais lucro, mais demissões", comentou o delegado sindical da CFDT Jean Barra, chamando a atenção para os aspectos negativos e contraditórios da globalização.
O economista francês Pierre Noel Graud reconhece o efeito dramático desse anúncio, mas lembra que a redução do quadro de funcionários é uma tendência mundial de toda atividade ligada à indústria automobilística. Especialistas acham que a decisão da Michelin deve ter sido motivada pela aproximaçao da Goodyear e da Sumitomo, que hoje detêm 22% do mercado mundial.

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