Belo Horizonte, 04 (AE) - Há mais de 30 mil desabrigados e desalojados pelas chuvas na região Sul de Minas Gerais, segundo balanço divulgado no final da tarde de hoje pela Coordenadoria de Defesa Civil de MG (Cedec). Prefeituras de nove cidades haviam decretado estado de calamidade pública e 30, estado de emergência.
Desde o 1º de janeiro, segundo a Cedec, seis pessoas morreram na região: quatro na cidade de Itajubá - três vítimas de problemas cardíacos e uma por afogamento - e outras duas em Poços de Caldas e Seritinga, em razão de um desabamento e de uma enchente. Desde o Natal, porém, são 11 vítimas no Estado.
Governo - Os números levaram o governador Itamar Franco (sem partido) a transferir para a região por três dias, a partir de amanhã, a sede administrativa do Estado. Na hora do almoço, o presidente Fernando Henrique Cardoso sobrevoou a região para verificar os danos.
O prefeito de Itajubá, José Francisco Marques Ribeiro (PMDB), um dos primeiros da região a decretar calamidade pública
informou que cerca de dez mil moradores continuavam sem poder voltar para suas casas. Uma forte chuva que caiu no município pela manhã, com duração de 40 minutos, complicou a situação. Até o meio da tarde não voltou a chover. "Estamos torcendo para que a chuva pare de vez e o rio baixe, senão o que está ruim pode ficar pior", disse o prefeito.
Em São Lourenço, outra cidade em calamidade pública, no chamado Circuito das águas de Minas, a água subiu mais de três metros na região central e isolou as partes altas do município. Um hotel de oito andares teve o térreo totalmente inundado, o que provocou pânico entre os turistas hospedados no prédio. "Estamos com cerca de três mil desabrigados, mas a chuva parece estar diminuindo e muitos deles poderão voltar para suas casas nesta quarta-feira", disse o secretário municipal de Serviços Urbanos, Antônio Guimarães.
Outras cidades como Itanhandu, Itamonte, Santa Rita do Sapucaí, Aiuruoca, Passa Quatro e Pouso Alegre - para onde o governo mineiro será transferido - também estavam em calamidade pública e contavam milhares de desabrigados. Poços de Caldas, na divisa com São Paulo, tinha cerca de 40 famílias abrigadas no centro esportivo municipal.
Na pequena Wenceslau Brás, próxima a São Lourenço, os cerca de dois mil habitantes estavam assustados com a intensidade das chuvas, que começaram na sexta-feira, véspera do ano-novo. "Estamos sem luz há mais de três dias e não há mais pilhas ou velas para comprar", disse a professora Hilda Campos, em entrevista a uma rádio de Belo Horizonte. Muitos municípios sul-mineiros também continuavam com problemas de comunicação, em razão de inundações que atingiram as centrais telefônicas da Telemar.
"A situação começou a se normalizar hoje, mas a falta de contato com algumas cidades permanece sendo um grande problema para a Defesa Civil", disse o diretor da Cedec-MG, major Juarez Nazareth.
Medicamentos - A Secretaria de Saúde de Minas Gerais enviou, à tarde, 20 mil frascos de hipoclorito de sódio - utilizado na desinfecção de água - para duas regionais do Sul de Minas, próximas às áreas consideradas mais críticas. Também seriam feitas remessas de analgésicos, antiinflamatórios e soros anti-tetânicos, entre outros medicamentos. O material será distribuído em 100 municípios. As autoridades sanitárias temem, em razão das enchentes, a ocorrência de surtos de leishmaniose, dengue e tétano, além de outras doenças.