Belo Horizonte, 12 (AE) - Representantes do governo mineiro cobram amanhã (13), em Brasília, uma dívida de R$ 17,8 bilhões do ministro da Previdência Social, Waldeck Ornélas.
Hoje, na véspera da viagem, o governador Itamar Franco (PMDB) e o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Silo Costa, criticaram o ministro. "Dizer que os números são fantasiosos é opinião do ministro", reclamou Costa, referindo-se à declaração de Ornélas sobre a conta apresenta por Minas Gerais.
A pedido de Itamar, o presidente do tribunal explicou a jornalistas, por mais de uma hora, como chegou à conclusão de que Minas Gerais tem direito a R$ 17,8 bilhões na compensação financeira de contribuição ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) feita por servidores públicos aposentados. "Podemos colocar nas mãos do governo federal 180 mil certidões de aposentados", afirmou. "O que queremos é só o que está na conta própria de cada um." Costa ressaltou que os juros de 0,5% cobrados no cálculo são muito inferiores aos 7% cobrados dos Estados pela União. Irritado, ele questionou a lisura do ministro da Previdência Social como político e disse que os questionamentos feitos por Ornélas têm conotações políticas.
Para o governo de Minas Gerais, as declarações dos técnicos do governo federal sobre o crédito de R$ 17,8 bilhões são prova da má vontade para com o Estado. "Esse governo quer perseguir o governo de Minas, não é o Itamar", disse. "Esse governo não gosta de Minas Gerais." Itamar afirmou que vai esgotar os expedientes administrativos antes de recorrer à Justiça para receber o crédito.
Estarão representando o governo mineiro, no encontro com Ornélas, o secretário da Administração, Sávio Sousa Cruz, e o presidente da Assembléia Legislativa, Anderson Adauto (PMDB). Ainda essa semana, Minas Gerais fará outra cobrança, dessa vez ao ministro dos Transportes, Eliseu Rezende. O Estado quer receber cerca de R$ 2 bilhões a repasses devidos pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER). Quem apresentará a conta ao ministro será o vice-governador Newton Cardoso (PMDB).

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