Presença da espécie é prejudicial porque piora a qualidade da água e causa entupimento de tubulações
Presença da espécie é prejudicial porque piora a qualidade da água e causa entupimento de tubulações | Foto: Anderson Coelho


A proliferação de mexilhão-dourado no lago Igapó tem preocupado ambientalistas e técnicos da Sema (Secretaria Municipal do Ambiente). A espécie invasora se espalha com rapidez e, em menos de dez anos, estima-se que o número de exemplares do molusco no local passou de dezenas para milhares por metro quadrado. A administração municipal busca auxílio de instituições de ensino para pesquisar impacto e medidas de controle. Especialistas apontam que a presença da espécie é prejudicial porque piora a qualidade da água e causa entupimento de tubulações.

Na tarde desta terça-feira (3), a Sema realizou reunião para buscar soluções para o caso, uma vez que a proliferação pode provocar danos ambientais ainda não mensurados. Segundo Gilmar Domingues Pereira, secretário municipal do Ambiente, o número chama a atenção. "Muitas vezes nós não demos atenção a isso por causa da pequena quantidade. Porém, isso agora é diferente. Eles estão se reproduzindo em velocidade muito grande, podendo acarretar problemas sérios", explicou.

A presença do mexilhão-dourado já foi percebida no lago Igapó 1 e na barragem, no Igapó 2 e no lago do Parque Arthur Thomas. O objetivo da reunião foi articular especialistas de instituições de ensino para buscar soluções para o problema. "Nós temos dois biólogos, um engenheiro químico e já iniciamos o estudo, mas o assunto é bastante complexo e delicado, por isso estamos buscando auxílio das universidades", afirmou.

Originário da Ásia, o molusco chegou ao Brasil pelo porto na Argentina, via água de lastro das embarcações. Mário Orsi, biólogo da UEL (Universidade Estadual de Londrina), explica que essa é uma das maiores colonizações invasoras que existe. "Apesar de não ter locomoção, estudo percebeu que a espécie conseguia alcançar 100 km ou mais na bacia hidrográfica do Paraná. Em dez anos desse estudo, já chegou no alto da bacia do Pantanal e está atingindo a Amazônia", relatou.

A suspeita é de que a espécie tenha chegado ao Igapó por meio de embarcações de lazer, como jet skis e caiaques. Orsi iniciou uma pesquisa no local em 2012. "Detectamos que havia apenas dezenas por metro quadrado, notificamos, divulgamos e pouco se deu importância. Hoje há áreas com milhares ou milhões de indivíduos na mesma quantidade de espaço", destacou.

Como um filtrador por excelência, o mexilhão-dourado deixa a água cristalina, o que Orsi explica não ser um benefício, mas um empobrecimento da água. Segundo o biólogo, o molusco acaba com a alimentação e espécies de peixes, elimina organismos benéficos como as algas, entope tubulações e pode causar danos físicos. "Até o momento não encontraram benefício algum", argumentou.

O ambientalista João Batista Moreira de Souza, conhecido como João das Águas, afirma ter percebido a presença do animal por conta da obstrução das tubulações. "O lago subiu uns 10 cm sem chuva, quando fomos ver, os tubos estavam obstruídos por conta dos mexilhões, eles grudam nas paredes. Entramos em contato com a Sema para procurar providências. O Igapó já é tão afetado por esgoto, poluição difusa, assoreamento, enchentes, agora mais esse problema que a gente não sabe qual é o impacto", defendeu.

Enquanto se estuda o impacto e forma de controle, a Sema contorna o problema com remoção mecânica por meio de pás e enxadas para liberar as comportas. "O único manejo que fazemos hoje é a limpeza, o que eu considero muito aquém do necessário", afirmou o secretário. Embora haja necessidade de estudo, aparentemente o animal não transmite doenças, mas a orientação é que não seja consumido.

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