México retém 11 mil carros brasileiros
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quinta-feira, 09 de março de 2000
Por Cleide Silva 
São Paulo, 10 (AE) - Cerca de 11 mil veículos produzidos no Brasil estão retidos na alfândega portuária do México por conta de mudanças na cobrança da alíquota de importação naquele país. O governo brasileiro deve encaminhar, na segunda-feira, uma proposta de solução do problema. Sem alternativa, as montadoras ameaçam abandonar a negociação do acordo bilateral entre os dois países.
A maioria dos veículos é da Volkswagen que, desde janeiro, despachou três navios carregados de Gol, Saveiro e Golf. "Já perdemos um mês e, no mercado de exportações, é uma perda irrecuperável", disse a diretora de Assuntos Governamentais da Volks, Elizabeth de Carvalhaes. Segundo ela, a partir de janeiro o governo mexicano voltou a cobrar 20% de alíquota de importação do carro brasileiro, ante 8% cobrados desde 98. Com essa taxa, os carros deixarão de ser competitivos no mercado mexicano.
Para que os automóveis importados pela filial da montadora possam ser nacionalizados, Elizabeth propõe um acordo transitório, mantendo-se o imposto em 8%. De 28 a 30 de março, representantes dos governos e dos setores produtivos do Brasil e do México vão se reunir em Brasília para concluir um acordo bilateral de longo prazo.
"Não tem sentido sentar para negociar com a fronteira entupida de carros", afirmou Elizabeth, que também é vice-presidente da Anfavea (entidade que reúne as montadoras). Ela explicou que o carro brasileiro era taxado em 8% por conta de uma flexibilização nas regras do Nafta. Essa alíquota seria mantida até o fim do ano, mas, por causa da negociação do acordo bilateral, o governo mexicano retomou a taxa anterior, de 20%. Já os carros mexicanos que entram no Brasil pagam 35% de imposto
índice que seria eliminado com a aprovação do acordo. A atitude do governo mexicano seria uma pressão para o Brasil reduzi-lo de imediato.
A negociação para o acordo bilateral emperrou depois que o México impôs uma cota de importação de 40 mil veículos ao ano, com 8% de alíquota e 35% de peças produzidas no país de origem do carro.
O presidente da Anfavea, José Carlos Pinheiro Neto, disse que o objetivo do acordo era de livre comércio e imposto zero. Entretanto, fez uma contraproposta de 100 mil veículos/ano
com imposto de 5% e 60% de conteúdo local. Agora, aceita discutir 60 mil unidades e 8% de alíquota.


