Washington, 01 (AE-AP) - O presidente americano, Bill Clinton, anunciou hoje (01) o relatório anual do Departamento de Estado sobre os países que têm colaborado com a política antidrogas dos EUA - um processo conhecido como "certificação", rechaçado pela maioria dos países analisados.
Quase todos os países latino-americanos receberam a "certificação plena", conceito que garante a concessão de ajuda financeira e cooperação militar dos EUA para seus programa de combate ao cultivo, processamento e tráfico de drogas. Os países que não obtêm o "certificado de boa conduta" emitido por Washington sujeitam-se ao veto dos EUA nos organismos de crédito internacionais.
As exceções no continente foram o Paraguai e o Haiti, que, na análise do Departamento de Estado, não cumpriram com os requisitos da certificação. Mas os dois países não sofreram sanções em razão de "interesses estratégicos dos EUA". Para as autoridades de Washington, o corte do orçamento de programas antidrogas só aprofundaria os problemas nos dois países.
Clinton anunciou também a aprovação da política antidrogas da Colômbia, apesar de a produção de cocaína no país ter crescido 20% no ano passado em relação a 1998. A Casa Branca enviou ao Congresso americano um plano para transformar a nação sul-americana no segundo maior receptor de ajuda dos EUA (atrás de Israel). Esses recursos seriam destinados integralmente ao combate às atividades do narcotráfico.
O czar antidrogas americano, Barry McCaffrey, atribuiu o aumento da produção de drogas na Colômbia em 1999 ao êxito das políticas antidrogas em dois países vizinhos - Bolívia e Peru, também plenamente certificados.
Ignorando as recomendações dos líderes da oposição republicana no Senado e na Câmara, Clinton declarou também a certificação do México - um dos mais ferrenhos adversários desse processo de avaliação. Na semana passada, o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA, Jesse Helms, declarou que as medidas empregadas pelo México para combater o narcotráfico tinham alcançado um resultado abaixo do esperado. Cartéis mexicanos têm-se transformado em poderosas organizações capazes de infiltrar nos EUA grande parte da cocaína produzida na Colômbia.
Brasil, Bahamas, Equador, Jamaica, República Dominicana, Guatemala, Panamá e Venezuela foram os outros latino-americanos certificados.
No restante do mundo, Nigéria e Camboja foram reprovados, mas - a exemplo de Paraguai e Haiti - não sofrerão sanções. Afeganistão e Birmânia, sancionados em anos anteriores por causa da tolerância com a produção e o tráfico da heroína, voltaram a ser reprovados.