Flamengo, você já me deu muitas alegrias. Meu coração pulsava e ainda pulsa por outras cores, mas em 1981 não houve como ficar impassível diante das proezas do time em que brilhavam Zico, Adílio, Andrade, Tita, Raul e outros semideuses do futebol. Você foi genial, Flamengo. Flamengo, você é campeão.

E o que dizer, Flamengo, da sua torcida, a maior do Brasil, que sempre dá um espetáculo em vermelho e negro nalgum estádio do País? Flamengo, a sua coreografia não se limita aos gramados: ela migra para as arquibancadas e para o coração de cada torcedor solitário. Flamengo, você é comunhão.

Flamengo, Flamengo, algumas vezes você já visitou nossa cidade, onde sempre foi bem recebido, apesar de uma ou outra rusga, coisas do futebol. Flamengo, creio que podemos nos chamar de amigos. Flamengo, você é irmão.

Nunca estive em um lugar deste país em que não encontrasse alguém que diga, com orgulho: "Sou Flamengo". Não há cidade e não há família nesta imensa nação onde não pulse algum coração rubro-negro. Flamengo, você chega muito perto da onipresença. Flamengo, você é emoção.

Você é festa, Flamengo. Você é grito de gol, você é drible, você é passe, você é de primeira. Você é garra, talento e sorte. Você é história, arte e cultura. Você é 11, você é 200 milhões. Flamengo, você é nação.

Você é sonho, Flamengo. Você era o sonho de cada um desses meninos que estavam no Ninho do Urubu. Eles dormiam, Flamengo, e sonhavam com o dia em que teriam seus nomes gritados por milhares de vozes no Maracanã. Porém - ah, Flamengo! -, o grito deu lugar ao silêncio.

E no silêncio eu choro, Flamengo. Choro por tantos sonhos interrompidos. Pelos braços que não serão erguidos. Pelas bandeiras que não serão tremuladas. Pelos cruzamentos que ficarão incompletos. Pelos passes sem destino. Pelas tabelinhas sem parceiro. Pelos placares que não serão alterados. Pelos pênaltis que não serão defendidos. Pelas redes que não serão balançadas. Pelos troféus que não serão erguidos.

Eu choro, Flamengo, pelas mães que não mais vão chorar de alegria. Pelos pais que não mais vão sorrir de orgulho. Pelas namoradas que não mais vão suspirar de amor. Eu choro pelas vidas de partida, pelas partidas da vida.

Ainda pranteávamos Brumadinho, Flamengo; não nos preparamos para tanto chorar tão cedo. E, no entanto, por um desses mistérios da força humana, hoje derramamos lágrima sobre lágrima, dor sobre dor, compaixão sobre compaixão. Ontem eram rios de lama; hoje, chamas de vermelho e negro. Um vermelho e um negro que se transformam no pranto de um país inteiro.

Clube de Regatas Flamengo, ouça minha canção triste! Que ela possa chegar até o Céu, onde Deus assiste à partida eterna entre os meninos e os anjos.

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