'Meu irmão não era assaltante', diz irmã de homem morto pela polícia em Botucatu


SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A técnica de enfermagem Vânia Almeida, irmã do homem morto em suposto confronto com a polícia durante uma das mais audaciosas ações criminosas vistas em solo paulista, em Botucatu, a 238 km de São Paulo, afirma que ele era morador de rua e não tinha nenhuma relação com a quadrilha que causou pânico na cidade.

"Ele quis ir para a rua tem um mês. Fizemos tudo para trazê-lo para casa, porém ele dizia que lá iria a reportagem ele seria famoso por escrever músicas", ela escreveu nas redes sociais.



Indagada sobre o suposto erro da polícia, a Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo limitpu-se a dizer, por nota, que "todas as mortes decorrentes de intervenção policial, por determinação da própria pasta, são investigadas pelas delegacias especializadas, pelas Corregedorias e comunicadas ao Ministério Público".

Após o roubo a uma agência do Banco do Brasil, que começou na noite de quarta (29) e prosseguiu pela madrugada de quinta (30), praticamente todos os criminosos conseguiram escapar levando o dinheiro do roubo. Um deles, segundo a polícia, foi baleado e morto durante um dos confrontos, logo após abandonar um dos carros usados na fuga. A irmã do homem morto, no entanto, afirma que ele não estava armado, não sabia dirigir e dizia para a família que na rua tinha liberdade, por isso não voltava para casa.

Na madrugada de quinta, Vânia foi uma das botucatuenses que publicou nas redes sociais relatos sobre as horas de terror vividas por todos. "Botucatu em pânico com criminosos nesta madrugada", ela escreveu, usando as hashtags #OrePorBotucatu e #OrePelosPoliciais.

Ivan Almeida, conhecido com MC Sapequinha, tinha 27 anos e morava embaixo de um viaduto na rodovia Marechal Rondon, nas proximidades do local onde a polícia diz ter ocorrido o confronto.

Em entrevista ao site Leia Notícias, de Botucatu, o advogado Luís Carlos Medina, que representa a família, reafirmou a versão de que Ivan saiu de casa para morar embaixo do viaduto e não tinha ligação nenhuma com o mega-assalto. Ele já havia sido preso por furto.

Outros moradores de Botucatu também comentaram a morte de Ivan e apontaram o suposto engano da polícia. Um deles, Wesley Soares, contou que conversou com o morador de rua na semana passada, quando ele contou que morava no viaduto e pediu uma blusa porque estava com frio. Também teria pedido para ser fotografado.



"Era para lembrarmos dele quando fizesse sucesso", relatou Wesley.

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