A recuperação do menino Carlos Eduardo de Carvalho, de nove anos – atacado sexta-feira por um cão Pit Bull mestiço – surpreendeu seus pais e funcionários do Hospital da Zona Sul (HZS), em Londrina, onde ele está internado. Carlos Eduardo foi atacado quando soltava pipa em um terreno baldio do Jardim Boa Esperança (zona sul de Londrina) e sofreu diversas mordidas no rosto, precisando receber mais de cem pontos cirúrgicos na face e nuca.
O animal, chamado ‘‘Todi’’, está em observação em um canil do Hospital Veterinário (HV) da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O dono do animal ainda não foi encontrado. A Vigilância Sanitária determinou o confinamento do cão por 10 dias para verificar se o Pit Bull mestiço não apresenta zoonoses (doenças comuns entre homens e animais). Segundo moradores do bairro, mais duas crianças foram atacadas pelo animal mas sofreram ferimentos leves. Uma delas é Jonatan Correia, de sete anos, que sofreu pequenos arranhões no rosto e permanece em observação.
A mãe de Carlos Eduardo, Neusa Semprebom Carvalho, 36 anos, acredita que seu filho só não morreu por intermédio de Deus. ‘‘Ele veio correndo para casa, só gritou socorro e dizia que não queria morrer. Ele disse que ainda segurou a boca do cachorro para não levar uma mordida na garganta. Meu filho nasceu de novo, foi por Deus!’’ O menino contou que durante o ataque chutou o cachorro, mas ele só mordia sua face. ‘‘Ninguém reconhecia meu filho de tão ensanguentado. Ele gritava: ‘Ben (forma carinhosa de tratar o pai), não deixa eu morrer’. Do jeito que a gente viu não acreditava que ele fosse viver’’, comentou o forneiro Romeu Antonio de Carvalho, pai da vítima.
A supervisora do HZS, Denise Bobroff, confirmou que na sexta-feira o menor deu entrada no hospital em uma situação crítica. Ontem ele já caminhava pelo hospital empurrando o próprio suporte do soro que está tomando. Carlos Eduardo está sendo submetido a um tratamento com analgésicos, antibióticos e vacina anti-rábica. Ontem, durante o horário de visita, Carlos Eduardo sentou-se no jardim interno do hospital para conversar com seus familiares. Neusa Carvalho disse que seu filho não está traumatizado com cães. ‘‘Ele disse que eu posso arrumar um cachorro que não tem medo.’’
Os pais de Carlos Eduardo fazem um apelo para que o dono do animal apareça e ajude a pagar o tratamento médico. Futuramente ele deverá ser submetido a cirurgias plásticas para corrigir as cicatrizes provocadas pelas mordidas do animal. ‘‘Queremos que o dono venha conversar e nos ajude nas despesas porque somos pobres. Não estamos com mágoa e só queremos conversar’’, implorou Neusa Carvalho. ‘‘Só quero que ele me ajude a pagar os medicamentos de meu filho. Já gastei mais de R$ 50 reais e não temos condições. Eu quero que ele seja humano e assuma que o cachorro é dele’’, desabafou o pai do menino.
Segundo moradores do Jardim Boa Esperança, duas pessoas, identificadas por Rafael e Fernando, circularam pelo bairro em uma moto CG placa AFY-8718, procurando pelo Pit Bull, mas sumiram após saber do ataque a Carlos Eduardo. O pai da vítima teria recebido a informação de que o cão seria do proprietário de um ferro-velho localizado na Avenida Guilherme de Almeida, no mesmo bairro. No endereço, a Folha encontrou Fernando Dias, de 37 anos. Ele possui uma Honda CG, mas negou que seja o proprietário do animal. Dias afirmou que mantém apenas um Pastor Belga trancado em seu quintal.

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