Piraquara - Com um sentimento de vergonha escancarado na expressão e na maneira de falar, a londrinense A.S., de 31 anos, emprega toda a energia em caminhos de remição de pena (trabalho, estudo e leitura) como forma de diminuir ao máximo a lacuna na vida do filho de 14 anos. "Ele tinha 8 anos quando eu e o meu companheiro fomos presos juntos, por tráfico de drogas, por conta de uma escuta telefônica. Nem sei mais como é viver com meu filho", desabafa.

Demonstrando um desconforto tocante por não se considerar exemplo, em meio às lágrimas, ela conta orgulhosa sobre o filho. "A cada quatro meses recebo a visita dele com minha mãe. Meu filho é totalmente diferente de mim e do pai. Não seguirá nosso mau exemplo", assegura.

A culpa que carrega pela ausência na criação do filho não evita que ela critique a própria sentença. "Essa pena de 33 anos foi excessiva. Eu era primária e o meu companheiro pegou 14 anos pelo mesmo crime", compara, inconformada. Tentando fazer do limão uma limonada, em cinco anos e meio de prisão, ela já estudou computação, aprendeu a costurar, e afirma restar mais duas matérias para concluir o ensino médio. "Aí farei o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Vou sair daqui diferente e com uma profissão", promete.(M.M.)

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