"Meu filho aprendeu a ser bandido na Febem", diz pai de interno
São Paulo, 21 (AE) - M. tinha 13 anos quando chegou pela primeira vez a uma unidade da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) em São Paulo. Filho de um taxista e uma doméstica fora internado por uma sequência de furtos. Ele é um dos 17 acusados de tentativa de assassinato, formação de quadrilha e danos ao patrimônio no Complexo Tatuapé da Febem.
Depois da primeira internação, que durou alguns meses, as idas e vindas tornaram-se constantes. "Meu filho aprendeu a ser bandido lá dentro da Febem, com as péssimas companhias", acusa o taxista H.F.M., de 43 anos, que esteve hoje no 81.º Distrito acompanhando a transferência do filho para o Cadeião 2. O rapaz fugiu da Imigrantes depois de um ano e meio de internação. "Após a fuga, começou a assaltar e, no ano passado, foi preso por ter tentado matar um homem durante um roubo na Fernão Dias."
M. tem no braço direito a tatuagem de um pé de maconha e o taxista disse que seu filho pode ter sido "forçado a participar da rebelião para não ser morto".A mãe do rapaz morreu há oito meses. "Ela não respeitava a mãe doente nem os quatro irmãos e se está envolvido tem de pagar."
Hoje a portaria da Febem voltou a ficar cheia de mães em busca de informações sobre o paradeiro e o estado de seus filhos. Algumas conseguiram entrar e saíram mais aliviadas.Outras voltaram a protestar contra as condições dos internos. "Encontrei meu filho e ele está calmo; Deus queira que não aconteça mais nada de ruim lá dentro", disse a auxiliar de limpeza Maria Aparecida Silva, de 47 anos. "Esse sistema não funciona", rebateu a mãe R.S.A., de 33. "Estou há dois anos na porta da Febem e eles não fazem nada para melhorar a vida dos meninos, ensinar algo de útil, recuperá-los."
O eletricista Jarci Gomes de Oliveira, de 38 anos, descobriu que o filho L.S.O., de 15 anos, fora transferido do cadeião de Pinheiros para o Tatuapé horas antes da rebelião. "Desde que ele foi preso, nunca faltei a uma visita e não vejo a hora de saber como ele está; no sábado, fui ao cadeião e não me disseram que ele já estava no Tatuapé", revelou."Quando acontece uma rebelião como esta última, a gente só pensa em coisa má, porque sabe que o filho está num barril de pólvora."
Algumas pessoas vieram do interior. Moradora de Sorocaba
a doméstica Maria Rosa Luca, de 46 anos, queria saber o que havia ocorrido no sábado. Seu filho, B.L., de 13 anos, foi transferido de Porto Feliz para cá há 15 dias. Está cumprindo medida socioeducativa por roubo de moto.





