São Paulo, 24 (AE) - Metroviários, motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo decidiram em assembléias suspender a greve, marcada para amanhã (25). O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) julgou hoje o dissídio coletivo das duas categorias. Além de manter todos os benefícios - que as empresas pretendiam diminuir ou suspender -, o TRT concedeu 3,88% de reajuste, 1,10% a mais do que os trabalhadores reivindicavam na última fase das negociações.
Alegando dificuldades financeiras e queda no movimento, os empresários não queriam dar reajuste. Eles podem recorrer.
A correção salarial foi maior do que a esperada porque os trabalhadores haviam pedido que a revisão fosse feita com base nos índices do Dieese, que apontava uma variação de 2,77%. Os juízes, entretanto, consideraram o Índice de Custo de Vida (ICV), do Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE).
"Sabemos que a luta não terminou, mas essa batalha nós vencemos", comentou o presidente do sindicato dos Motoristas e Cobradores, Gregório Poço. "Apesar da vitória, vamos manter o estado de alerta por pelo menos 30 dias", afirmou o presidente o Sindicato dos Metroviávios, Onofre Gonçalves de Jesus. " Segundo o diretor Osvaldo Bertolino, 2,5 mil metroviários participaram da assembléia.
Ao fim da sessão de dissídio,o clima era de comemoração e os sindicalistas aplaudiram a decisão. O advogado da Transurb (entidade que reúne as empresas concessionárias de transporte rodoviário público, em São Paulo), Alencar Rossi, não descarta a possibilidade de recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho (TST)
em Brasilía. "Mas primeiro vamos discutir o caso com a direção da Tranbsurb." Segundo ele, "a decisão do TRT já era esperada pelas empresas".
Tíquete - Entre as determinações do TRT estão a manutenção do adicional noturno, seguro de vida, pagamento de 100% das horas extras e cesta básica. O tíquete refeição dos motoristas e cobradores, que atualmente é de R$ 6,50, também sofrerá reajuste de 3,88%. De acordo Gregório Poço, 32 empresas ainda não pagaram os vales, que deveriam ter sido entregues dia 1.º. "Vamos recorrer à Justiça, mas também devemos podemos organizar paralisações nessas empresas."

mockup