Metroviários decretam greve de 48 horas
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quarta-feira, 08 de dezembro de 1999
Por Luciana Garbin 
São Paulo, 08 (AE) - Cerca de 2,3 milhões de pessoas devem ficar sem transporte amanhã por causa da greve dos metroviários. A paralisação de 48 horas foi decidida hoje em assembléia na sede do sindicato da categoria. Nenhum trem vai circular nas linhas Norte-Sul, Leste-Oeste e Paulista, pelo menos até as 18h30, quando os trabalhadores devem reunir-se para avaliar a situação.
Os metroviários reivindicam o pagamento de R$ 700,00, correspondentes à primeira parcela da participação dos funcionários nos lucros da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô). "Fizemos tudo o que podíamos para evitar a greve
mas não teve jeito", afirmou o presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Onofre Gonçalves de Jesus.
Para o Metrô, o sindicato quer a antecipação de algo que nem sequer foi discutido. "Ainda não há indicador de que a produtividade tenha aumentado neste ano e se haverá participação nos resultados", declarou o diretor-administrativo, Fernando Carrazedo. "Vamos entrar com recurso no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) para que a paralisação seja julgada abusiva."
O desentendimento entre a empresa e os funcionários começou com a suspensão das negociações sobre a participação nos resultados. Segundo os metroviários, desde 1994, eles recebem bônus todos os anos em que as metas são alcançadas. No ano passado, o total foi de R$ 1.205,00, pago em duas parcelas: a primeira, antecipadamente, em setembro de 1997; a segunda, em fevereiro de 1998.
No início deste ano, as negociações foram suspensas em razão de decreto estadual que proibia a participação de funcionários públicos nos lucros. Como protesto, em setembro, os trabalhadores passaram a trabalhar sem uniforme e iniciaram paralisações nos setores administrativo e de manutenção. Também estipularam em R$ 700,00 o adiantamento deste ano.
Em novembro, o sindicato chegou a anunciar uma greve para o dia 24, mas voltou atrás com o início das negociações. Ontem, em reunião de conciliação entre representantes do Metrô e dos metroviários, o vice-presidente do TRT, José Victorio Moro, propôs o pagamento antecipado dos R$ 700,00 exigidos pelos funcionários, em janeiro. Os metroviários afirmam ter feito uma segunda proposta, de receber em duas parcelas de R$ 250,00, não aceita.
Contra-proposta - O Metrô fez uma contra-proposta: pagar R$ 200,00. Também sugeriu que se discutisse a partir do próximo mês um novo programa de participação nos resultados. "Não houve boa vontade do sindicato em sentar para definir metas claras e objetivas", diz Carrazedo. "Eles estão interessados única e exclusivamente no dinheiro e o Metrô está deficitário em R$ 25 milhões."
Amanhã, representantes dos trabalhadores e da empresa devem reunir-se numa outra audiência no TRT, às 15h30. Mais tarde, os metroviários vão decidir se continuam ou não a greve. Segundo Carrazedo, por causa da paralisação, o Metrô encerrou as negociações e não mais oferece os R$ 200,00.
Ele diz ainda que o tribunal teria determinado que toda a frota estivesse em funcionamento amanhã. Já o sindicato diz que o TRT apenas solicitou um esquema de emergência. "Oferecemos 10% dos funcionários e eles não aceitaram", diz Jesus. "Se apenas alguns trens circulassem haveria muito tumulto nas portas e plataformas", afirma o diretor do Metrô.
A São Paulo Transporte informou que, por causa da greve, as linhas de integração ônibus-metrô vão seguir diretamente até o centro e foi solicitada às empresas que colocassem mais carros nas ruas. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) modificou a escala para que os funcionários entrem mais cedo. Também foi suspenso o rodízio nos horários de pico e liberado o estacionamento em áreas de zona azul.


