São Paulo, 24 (AE) - O diretor financeiro e de relações com o mercado da Eletropaulo Metropolitana, Orestes Gonçalves Jr., disse hoje que a companhia poderá vir a reajustar suas tarifas em até 16% no próximo mês. Esse índice, segundo ele, inclui o repasse do IGPM, a Cota de Consumo Combustível (CCC) e Reserva Global de Reversão, que ficariam em torno de 6%. Ainda há o repasse de custos com a compra de energia de Itaipu, que deve chegar a 10%.
Gonçalves Jr, que hoje fez uma apresentação para analistas de mercado na Abamec-SP, afirmou que se a desvalorização cambial não tivesse ocorrido, a companhia teria registrado um lucro de aproximadamente R$ 70 milhões. Isso porque, segundo ele, a desvalorização do real causou um aumento de custos de R$ 32 milhões em Itaipu e outros R$ 54 milhões referentes ao passivo em dólar da empresa. Somando-se a isso R$ 10 milhões referentes ao aumento da Cota Consumo Combustível (CCC) e da Reserva Global de Reversão, a empresa fechou o primeiro trimestre do ano com prejuízo de R$ 17,5 milhões.
Ele disse também que a receita líquida da Metropolitana ficou em R$ 828,4 milhões, ante R$ 835,4 milhões no mesmo período do ano passado. O executivo destacou, no entanto, que os resultados do ano passado ainda refletiam o efeito da cisão da companhia, realizada em janeiro de 98. Desconsiderando esse efeito, as vendas de energia teriam crescido 0,6%.
Investimento - A Eletropaulo Metropolitana vai investir R$ 240 milhões em 99 para melhorar a qualidade da prestação de seus serviços. De acordo com Gonçalves Jr., serão investidos R$ 250 milhões anuais em 2000, 2001 e 2002. Incluindo os R$ 350 milhões investidos no ano passado, essas aplicações irão superar R$ 1 bilhão. Gonçalves afirmou que a desvalorização cambial não afetou os planos de investimento da empresa. A perspectiva para este ano, segundo ele, é de que haja um aumento da demanda de energia elétrica nos próximos trimestres. O diretor não soube quantificar esse crescimento, pois a Metropolitana ainda está estudando o impacto da valorização do dólar na área industrial, responsável por 34% do consumo da companhia. Só nesse primeiro trimestre, por exemplo, o mercado cresceu 0,9%.
A previsão inicial, feita em a gosto de 98, era de um aumento de 1,2% no período, o que significa que a mudança no câmbio teve um impacto de apenas 0,3% no segmento. O diretor afirmou que ainda não há uma decisão sobre interesse de disputar a Cesp. Segundo ele, a companhia aguarda o complemento da regulamentação do setor elétrico, com a definição de itens como contratos de longo prazo, por exemplo.

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