Método pode regenerar regiões tropicais devastadas
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sexta-feira, 31 de março de 2000
Por Cristina Charão 
São Paulo, 1 (AE) - Reconstituindo as etapas naturais da regeneração de matas devastadas, cientistas paulistas criaram um novo método para acelerar processos de reflorestamento em regiões tropicais. Uma equipe da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo, estudou a função de cada espécie na sucessão ecológica natural e estabeleceu uma ordem de plantio para cada uma. A metodologia vem sendo usada pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp) para recuperar matas nas regiões próximas a reservatórios hidrelétricos.
O potencial de uso do novo método é imenso. Com ele, todas as áreas devastadas do Brasil tropical podem ser regeneradas. Só no Estado de São Paulo, é possível reconstituir 10% do território, formado por matas ciliares (que margeiam o leito dos rios). "Até agora, as espécies da região eram plantadas ao acaso, como se na natureza as coisas ocorressem aleatoriamente", explica o professor do Departamento de Ciências Florestais da Esalq, Paulo Kageyama. No modelo elaborado sob a supervisão de Kageyama, as plantas foram separadas em grupos ecológicos segundo a função e a época de surgimento no processo de regeneração natural. Ao todo, os técnicos usam 207 espécies nativas das florestas tropicais.
Mudas - O processo começa com a coleta de sementes nas regiões próximas às devastadas, para a produção de mudas. Embaúbas, canciúbas e cerca de outras 20 espécies são as primeiras a serem transferidas para as regiões devastadas. Classificadas como pioneiras, elas resistem à ação direta da luz solar.
Uma vez crescidas, fornecem a sombra necessária para que as espécies secundárias - como o ipê, o jatobá, o pau-marfim e a peroba -, sem valor econômico, mas ecologicamente importantes, possam desenvolver-se. Instaladas as árvores primárias, pode-se então transferir as mudas das espécies climáticas, como o palmito e a copaíba. Estas crescem apenas na sombra.
Os resultados surpreendem. O tempo de implantação das novas florestas diminuiu para praticamente um quinto do normal. Antes do início das pesquisas, em 1988, o processo demorava de 5 a 7 anos. Com o novo método, a vegetação regenera-se em 1 ou 2 anos.
Diminuir o tempo do reflorestamento significa também reduzir gastos. O custo do hectare regenerado, que era de US$ 4 mil, caiu para U$ 1,5 mil. O convênio com a Esalq permitiu a restauração de cerca de 500 hectares por ano, em áreas que circundam os reservatórios de Paraibuna, Promissão, Ilha Solteira e Porto Primavera.


