Melhorar a relação entre as crianças, adultos e a sociedade. Esta é uma das funções da psicomotricidade relacional, criada há 35 anos e implantada no Brasil em 1986. Atualmente, escolas de Curitiba, Fortaleza e Recife já estão aplicando o método criado pelo educador francês André Lapierre e desenvolvido por sua filha, a educadora francesa Anne Lapierre. Uma das escolas de Curitiba que já adotou a técnica foi a Escola Terra Firme, que tem 25 funcionários e atende cerca de 150 alunos. Na sexta-feira, Anne e o educador Leopoldo Vieira (diretor do Centro Internacional de Análise Relacional) participaram de uma palestra da escola e de atividades de interação.
A psicomotricidade relacional incentiva a dinâmica de grupo e a socialização. Ela pode ser usada para crianças desde bebê (quando começa a engatinhar) até os 70 anos. O método oferece um espaço para que os alunos tenham liberdade de brincar e expressar suas sensações. ‘‘A criança tem às vezes dificuldades de aprendizagem. Para nós isso está ligado a problemas com a família e com a agressividade na maioria das vezes. Precisamos liberar esta agressividade para ajudar a criança no processo de aprendizagem’’, explicou Anne. ‘‘As brincadeiras livres liberam as tensões, as crianças podem mostrar o lado bom e o lado mau que elas têm sem se preocupar com frustrações e limites’’, reforçou Vieira.
Para as brincadeiras são usados materiais diversos, como bolas, bastões, tecidos, caixas de papelão. ‘‘O educador tem que estar bem preparado para lidar com a criança. Ele entra na provocação e muitas vezes toma o lugar de outra criança, canalizando a violência do aluno num material ou nele próprio’’, explicou o educador, que atua na formação de psicomotricistas relacionais. A carga horária para educadores é de 600 horas. Metade é destinada à formação pessoal.
‘‘Os educadores precisam conhecer seus medos e frustrações e saber que não podem fazer com que seus medos tenham reflexos nas crianças’’, disse Vieira. ‘‘A palavra destinada à criança, sobretudo, é fundamental.’’
Os educadores aprendem a perceber os problemas dos alunos pela decodificação das atitudes na hora da brincadeira. ‘‘Eles gostam de brincar de pai e mãe. Você percebe nestas brincadeiras o que ocorre dentro de casa. Uma criança que morde a outra faz isso por alguma razão. Ela traz geralmente frustrações com a oralidade, ou com o irmão mais novo que ganha mais atenção, ou até com um cachorrinho que começou a ocupar seu espaço’’, explicou a educadora francesa.
Os resultados da técnica estão sendo avaliados pelo Centro Internacional de Análise Relacional. Em trabalhos com repetentes, 90% das crianças conseguem melhorar a capacidade cognitiva e são aprovadas. O método é aplicado em escolas e empresas da França, Itália, Espanha, Bélgica, Canadá, Argentina e Brasil.
Serviço: Informações sobre os cursos de formação pelo telefone (41) 343-6964

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