Meticuloso, calmo, sem usar gíria, bom de conversa, convincente. Foge das perguntas. Essa é a definição sobre o motoboy Francisco de Assis Pereira descrita pelo delegado Jurandir Sant’Anna, responsável pela Divisão de Homicídios.
Sant’Anna interroga criminosos, autores de assassinatos, há quase 15 anos e ficou impressionado com o comportamento de Pereira. ‘‘Ele não se abala com quase nada e em suas respostas dá versões que parecem verdadeiras.’’
O policial conversou com Pereira durante o vôo de Porto Alegre a São Paulo e depois, no começo da noite de anteontem, nas dependências da Divisão de Homicídios. ‘‘Ele responde pausadamente, raciocina para falar, é diferente do marginal que estamos acostumados a interrogar no dia a dia.’’
Quando questionado sobre os crimes do Parque do Estado, Pereira procurou justificar-se, negando e querendo saber se existem provas. ‘‘Sobre a carteira de identidade queimada e encontrada no esgoto da firma onde trabalhava, respondeu calmamente que poderia ser qualquer pessoa da firma e jamais ele.’’
A maneira tranquila de conversar pode ter levado as moças, mortas e estupradas, a acompanhá-lo, acredita o delegado.’’ Ele adiantou que o motoboy se irritou com determinadas perguntas. ‘‘Ele não respondeu sobre o travesti Tayná, com quem morou algum tempo, e neste momento deixou a calma de lado e o rosto se contraiu.’’
Sobre Isadora Fraenkel, que está desaparecida desde fevereiro, Sant’Anna falou que o acusado hesitou nas respostas durante o vôo e não conseguiu explicar como ficou com um talão da moça e emitiu diversos cheques, mesmo estando ela desaparecida. ‘‘A resposta que deu não convence, porque ninguém daria um talão de cheques a um estranho com as folhas assinadas sem que fosse ameaçado.’’
O delegado de Homicídios acredita que Pereira acompanhou grande parte do noticiário sobre sua identificação e a caçada feita. ‘‘Ele parece que estudou a lição.’’ Pereira negou ter deixado um bilhete para o patrão no dia em que fugiu. O bilhete dizia. ‘‘Me desculpe, mas tem de ser assim.’’
A Brigada Militar (a PM gaúcha) mantém contatos extra-oficiais com a polícia argentina para ajudar a desvendar os passos de Francisco de Assis Pereira. Hoje, policiais de São Borja (RS) atravessarão a fronteira para participar das solenidades de comemoração do aniversário da polícia de Corrientes (província onde se localiza a cidade fronteiriça de Santo Tomé). Informalmente, haverá troca de informações sobre a permanência de Pereira na região. Oficialmente, a participação dos policiais militares se encerrou com a captura.Arquivo FolhaFrancisco de Assis Pereira durante entrevista na terçaAgência Estado
e Agência Folha

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