O inverno, que começa oficialmente hoje às 22h47, será seco e com temperaturas irregulares. Isto se deve, segundo os técnicos, ao fenômeno conhecido como El Niño, que deve começar a atingir o Brasil de forma mais forte no fim de setembro. Conforme previsão de cientistas de São José dos Campos, confirmada por meteorologistas de Brasília, São Paulo será uma das cidades mais afetadas no País, com o clima mais frio e seco do que em outros anos. Além da região Sudeste e o Sul de Minas, o frio deve atingir de forma mais intensa o Norte do Paraná. No Rio Grande do Sul, a expectativa é de mais geadas e chuvas fortes, acima da média do ano passado.
Conforme avaliação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) há condições climáticas para o surgimento de grandes queimadas e incêndios nas florestas.
Segundo o diretor do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Augusto Athayde, São Paulo poderá ter a pior seca dos últimos 37 anos, com temperaturas que poderão cair a 4 graus centígrados. Ele previu em Brasília ‘‘consequências para as populações’’ do Estado, como a inexistência de água suficiente para suprir as cidades e a inflação de produtos como legumes e frutas por causa de possíveis quebras de safra. A expectativa é de que as chuvas fiquem próximas das médias históricas, mas isto não significa a recuperação do déficit hídrico. As chuvas só voltam a ocorrer com frequência em setembro e outubro.
‘‘É uma das piores estiagens do século no território paulista’’, confirma Carlos Nobre, chefe do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), órgão do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que divulgou ontem, em São José dos Campos, a previsão para o inverno em todo o Brasil.
A estiagem deve ‘‘favorecer queimadas e incêndios florestais’’ no Sudeste, segundo Athayde. ‘‘A nossa preocupação maior é com o Sudeste, especialmente São Paulo.’’ Segundo ele, a seca deste ano deverá ser tão intensa quanto as estiagens registradas em 1961 e 1963 - a diferença é que a população é muito maior e os reservatórios de água já começam a secar. Em 1963, São Paulo chegou ficou 174 dias sem chuva.
Segundo o diretor do Inmet, outras cidades do Estado também poderão sofrer os efeitos da seca. A expectativa é de que em alguns rios a estiagem comprometa até a geração de energia, dizem técnicos do Inmet.
O problema da falta de chuvas é agravado por uma irregularidade no índice pluviométrico do verão, que impediu o aumento nos níveis nos reservatórios paulistas - e já provocou racionamento de água em parte da capital. Segundo avaliação dos meteorologistas do Inpe, em abril e maio as chuvas atingiram somente 10% da média histórica da região.
geadas e chuvas fortes, acima da média do ano passado.
A previsão do Inpe para o País: Região Norte deverá ter chuva acima da média em sua porção norte. No restante as chuvas serão normais. No norte do Nordeste, o período chuvoso terminou em maio. No Leste da região, a tendência é de chuvas dentro do normal. Para o Sul do País, a tendência é de chuvas próximas às médias históricas.

mockup