O Centro Integrado de Meteorologia e Recursos Hídricos de Santa Catarina (Climerh) anunciou ontem que haverá um forte ciclone no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina a partir de hoje, estendendo-se até domingo. O ‘‘ciclone extratropical’’, que se inicia no Uruguai e no sul do Rio Grande do Sul, deverá provocar ventos com velocidade superior a 100 km/h no mar.
O meteorologista Clóvis Corrêa disse que está sendo preparada uma campanha de alerta à defesa civil para que seja evitado o tráfego de pequenas embarcações, devido à ressaca do mar. A preocupação principal se refere aos pescadores. Em terra, os ventos começarão a se manifestar gradativamente, o que alertará a população naturalmente.
De acordo com Corrêa, é recomendável as pessoas procurarem abrigo. Além disso, existe a possibilidade de destelhamentos. Na semana passada, um ciclone de 100 km/h passou pela costa do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, formando ondas de até 6 metros. O porto de Rio Grande fechou por 12 horas a barra que dá acesso ao seu canal, retendo embarcações. Em Lajes (SC), houve rajadas de 80 km/h. Em Florianópolis, de 60 km/h.
O ‘‘ciclone extratropical’’ é um tipo de sistema meteorológico que se forma sobre o Oceano Atlântico, na altura da costa sul do Brasil. Trata-se de um redemoinho de ventos com velocidades que podem ultrapassar os 100 km/h, associados a uma tempestade que se intensifica bruscamente sobre o mar. Os ventos fortes podem ser registrados não apenas na região costeira, mas também no centro dos dois Estados. Não há previsão de cidades mais afetadas.
O ciclone deve alcançar sua maior intensidade no sábado, com ventos de até 80 km/h nas cidades. A ressaca com ondas altas deverá ser registrada também no Rio de Janeiro. Na semana passada, já houve forte ressaca nos mares cariocas. Os meteorologistas catarinenses prevêem, também, que a presença do ciclone, junto com uma baixa pressão e massa fria, deverá resultar em ocorrência de neve no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina durante o fim de semana.
A preocupação dos meteorologistas em relação aos pescadores se justifica pelo fato de já ter havido desaparecimentos e mortes em outros ciclones. Entre os dias 20 e 21 de maio, quando se registrou outro ciclone, houve acidentes com embarcações e desaparecimento de um pescador em Laguna, cidade catarinense próxima à divisa com o Rio Grande do Sul. O primeiro caso de ciclone ocorrido neste ano foi registrado no dia 17 de abril e provocou morte de pescadores que trafegavam em suas embarcações.

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