Na noite do último domingo (5), um flash no céu chamou a atenção dos moradores de Londrina e outros três estados no Sul e Sudeste brasileiro. Um meteoro explodiu na atmosfera e gerou grande clarão e beleza.

Miguel Moreno, coordenador do Gedal (Grupo de Estudo e Divulgação de Astronomia de Londrina), explica que os londrinenses observaram um efeito luminoso gerado quando um fragmento de rocha espacial chamado de meteoroide entra na atmosfera terrestre em altíssima velocidade. O atrito com os gases aquece o ar e a própria rocha, que se incendeia e produz o rastro brilhante visível no céu. “O que vimos foi o que popularmente chamamos de estrela cadente. O nome correto é meteoro, e quando ele é muito brilhante, como nesse caso, pode ser chamado de bólido, eles são restos de cometas”.

Imagem ilustrativa da imagem Meteoro visto em Londrina é fenômeno comum, mas imprevisível
| Foto: Reprodução
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Moreno explica que o fenômeno é comum, mas dificilmente visível nas áreas urbanas. “Na cidade, quase não vemos meteoros por causa da poluição luminosa. As luzes artificiais dificultam a observação até das próprias estrelas. Só conseguimos ver quando é algo muito brilhante, mas tão brilhente como o de domingo, eles são imprevisíveis. Ele pode tanto estar associado a uma chuva de meteoros como ser totalmente esporádico, ser um fragmento que estava vagando a esmo pelo universo".

Remanescentes da formação do Sistema Solar ou fragmentos deixados por cometas, essas pequenas rochas espaciais geram as chamadas chuvas de meteoros quando a Terra cruza seus rastros de poeira. O fenômeno tem nomes específicos: no espaço, a rocha é um meteoroide (e, se for muito grande, um asteroide); ao entrar na atmosfera e incandescer, vemos o meteoro, que é o brilho produzido; e, se parte do corpo resiste à queima e alcança o solo, o fragmento recebe o nome de meteorito.

Apesar do impacto visual impressionante, o fenômeno não representa risco à população. “Esses corpos espaciais não oferecem perigo algum para nós — a não ser que você seja um dinossauro perdido no espaço”, brinca o astrônomo. “Até hoje não há registro de ninguém que tenha morrido por causa da queda de um meteorito. Isso porque cerca de 70% da Terra é coberta por oceanos, e o restante é, em grande parte, formado por desertos, florestas e áreas rurais. As zonas urbanas, onde há maior concentração de pessoas, representam uma parte minúscula da superfície terrestre.” Casos de ferimentos diretos são extremamente raros, conta Moreno.

MONITORAMENTO

Além de despertar a curiosidade dos moradores, o clarão visto no céu está sendo acompanhado por grupos brasileiros especializados na observação de meteoros. Entre eles, destaca-se a Bramon (Rede Brasileira de Observação de Meteoros), formada por astrônomos amadores e entusiastas que mantêm estações de monitoramento distribuídas por diversas regiões do país.

“O Brasil conta com dezenas de câmeras que registram o céu 24 horas por dia. Agora, durante esta semana, as equipes farão o processamento e análise das imagens para determinar a trajetória, a altitude e até a possibilidade de queda de fragmentos”, destaca Moreno. A partir das gravações, é possível realizar cálculos de triangulação e definir se o meteoro se desintegrou completamente ou se algum fragmento pode ter chegado ao solo.

Segundo ele, a Bramon e outros grupos, como o EXOSS, são formados por voluntários que constroem e mantêm suas próprias câmeras e estações, sem vínculo direto com universidades. “São pessoas movidas pela paixão pela astronomia, que registram e estudam esses fenômenos de forma colaborativa, contribuindo para a ciência no Brasil.”

Jéssica de Oliveira Mussati é estágiária.
Coordenação de Patrícia Maria Alves - editora

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