Meteoro visto em Londrina é fenômeno comum, mas imprevisível
Um forte clarão iluminou o céu de Londrina na noite de domingo (5) e atraiu a atenção de moradores, reacendendo a curiosidade sobre o fenômeno
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segunda-feira, 06 de outubro de 2025
Um forte clarão iluminou o céu de Londrina na noite de domingo (5) e atraiu a atenção de moradores, reacendendo a curiosidade sobre o fenômeno

Na noite do último domingo (5), um flash no céu chamou a atenção dos moradores de Londrina e outros três estados no Sul e Sudeste brasileiro. Um meteoro explodiu na atmosfera e gerou grande clarão e beleza.
Miguel Moreno, coordenador do Gedal (Grupo de Estudo e Divulgação de Astronomia de Londrina), explica que os londrinenses observaram um efeito luminoso gerado quando um fragmento de rocha espacial chamado de meteoroide entra na atmosfera terrestre em altíssima velocidade. O atrito com os gases aquece o ar e a própria rocha, que se incendeia e produz o rastro brilhante visível no céu. “O que vimos foi o que popularmente chamamos de estrela cadente. O nome correto é meteoro, e quando ele é muito brilhante, como nesse caso, pode ser chamado de bólido, eles são restos de cometas”.



Moreno explica que o fenômeno é comum, mas dificilmente visível nas áreas urbanas. “Na cidade, quase não vemos meteoros por causa da poluição luminosa. As luzes artificiais dificultam a observação até das próprias estrelas. Só conseguimos ver quando é algo muito brilhante, mas tão brilhente como o de domingo, eles são imprevisíveis. Ele pode tanto estar associado a uma chuva de meteoros como ser totalmente esporádico, ser um fragmento que estava vagando a esmo pelo universo".
Remanescentes da formação do Sistema Solar ou fragmentos deixados por cometas, essas pequenas rochas espaciais geram as chamadas chuvas de meteoros quando a Terra cruza seus rastros de poeira. O fenômeno tem nomes específicos: no espaço, a rocha é um meteoroide (e, se for muito grande, um asteroide); ao entrar na atmosfera e incandescer, vemos o meteoro, que é o brilho produzido; e, se parte do corpo resiste à queima e alcança o solo, o fragmento recebe o nome de meteorito.
Apesar do impacto visual impressionante, o fenômeno não representa risco à população. “Esses corpos espaciais não oferecem perigo algum para nós — a não ser que você seja um dinossauro perdido no espaço”, brinca o astrônomo. “Até hoje não há registro de ninguém que tenha morrido por causa da queda de um meteorito. Isso porque cerca de 70% da Terra é coberta por oceanos, e o restante é, em grande parte, formado por desertos, florestas e áreas rurais. As zonas urbanas, onde há maior concentração de pessoas, representam uma parte minúscula da superfície terrestre.” Casos de ferimentos diretos são extremamente raros, conta Moreno.
MONITORAMENTOAlém de despertar a curiosidade dos moradores, o clarão visto no céu está sendo acompanhado por grupos brasileiros especializados na observação de meteoros. Entre eles, destaca-se a Bramon (Rede Brasileira de Observação de Meteoros), formada por astrônomos amadores e entusiastas que mantêm estações de monitoramento distribuídas por diversas regiões do país.
“O Brasil conta com dezenas de câmeras que registram o céu 24 horas por dia. Agora, durante esta semana, as equipes farão o processamento e análise das imagens para determinar a trajetória, a altitude e até a possibilidade de queda de fragmentos”, destaca Moreno. A partir das gravações, é possível realizar cálculos de triangulação e definir se o meteoro se desintegrou completamente ou se algum fragmento pode ter chegado ao solo.
Segundo ele, a Bramon e outros grupos, como o EXOSS, são formados por voluntários que constroem e mantêm suas próprias câmeras e estações, sem vínculo direto com universidades. “São pessoas movidas pela paixão pela astronomia, que registram e estudam esses fenômenos de forma colaborativa, contribuindo para a ciência no Brasil.”
Jéssica de Oliveira Mussati é estágiária.
Coordenação de Patrícia Maria Alves - editora





