Metas trazem de volta o "vírus da indexação", diz Franco
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terça-feira, 29 de junho de 1999
Por Rita Tavares 
Brasília, 30 (AE) - O ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco acredita que, ao fixar para 1999 uma meta de inflação de 8%, com possível variação de dois pontos porcentuais
o governo está trazendo de volta "o vírus da indexação". Segundo ele, 10% será visto como um piso para contratos, reajustes salariais e aumentos de preços a serem fixados até o final deste ano.
Franco acha que a meta paralisará o comando do Banco Central, que não poderá se movimentar se a taxa ficar dentro da faixa estabelecida. De acordo com ele, metas que não representem um efetivo desafio a ser cumprido não representam nada. "O cumprimento dessa meta não acrescenta coisa alguma à credibilidade do Banco Central", afirmou Franco, que considerou o número de 8% muito elevado.
Sobre a possibilidade de as contas do governo serem melhor acomodadas com a fixação de uma inflação de até 10%, Franco foi enfático: "A inflação ajuda a saúde fiscal feito cocaína, porque oculta males, não os elimina e pode até agravá-los. Não é uma solução boa e nem duradoura".
O ex-presidente do BC considerou uma boa notícia a elevação de apenas 0,25 ponto porcentual nos juros norteamericanos, mas, mesmo assim, recomendou cautela ao Banco Central na decisão de uma eventual redução dos juros básicos. "É um momento de cautela. Não acho que seja um momento de grandes ousadias", disse Franco, não considerando a possibilidade de uma nova redução dos juros antes da próxima reunião do Copom no dia 28 de julho.
Segundo ele, a situação fiscal ainda é delicada e, além disso, uma possível alta dos títulos brasileiros no mercado externo pode acontecer num primeiro momento, mas é necessário esperar por um efeito permanente antes de uma tomada de decisão. Franco participou nesta tarde de um seminário promovido pela Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet).


