Metas são folgadas, avalia Loyola
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de junho de 1999
Por Cleide Sánchez Rodríguez 
São Paulo, 30 (AE) - Os números apresentados hoje pelo governo com metas inflacionárias para este ano, 2000 e 2001 são "flexíveis demais", afirmou o ex-presidente do Banco Central (BC) Gustavo Loyola. "Especialmente para este ano e o próximo"
analisou. As metas são 8% para este ano, de 6% para o próximo e de 4% para o ano 2001.
O governo vai trabalhar com uma margem para alcançá-las de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo. Isso significa que a inflação deste ano, por exemplo, vai poder ficar entre 6% e 10%. Um intervalo bastante folgado, de acordo com Loyola. Na sua opinião, isso significa que o cumprimento será relativamente tranquilo e mais: que o grau de compromisso do BC para alcançá-la não é elevado.
Loyola considerou positiva a decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) de permitir novamente o overnight, ou seja, as operações de um dia com compromisso de recompra. Desde que foi proibido, o sistema financeiro foi bastante criativo no sentido de desenvolver produtos que operassem no curtíssimo prazo, como as operações de swap e de derivativos em geral.
"As mudanças vão permitir uma limpeza no imbróglio de produtos", disse o economista. As operações não terão prazos mínimos nem máximos e os vencimentos serão regulados de acordo com a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Assim, não existirão mais os fundos de 30 ou 60 dias, tampouco carência. Mas, naturalmente, o governo vai estimular as operações mais longas.


