Metas provocam receio entre os mais desconfiados17/Mar, 23:23 Por Vladimir Goitia, enviado especial Buenos Aires (AE) - As difícies metas acertadas com o FMI, somadas à plena vigência do plano de conversibilidade e à necessidade de reformas estruturais rápidas para incrementar a competitividade argentina, provocam, nos mais desconfiados, a fácil tarefa de perguntar como o governo De la Rúa pretende reativar a economia do país. A meta de crescimento tornou-se ainda muito mais difícil com a desvalorização do real, que perdeu pelo menos 30% de seu valor desde janeiro do ano passado. Todos esses fatores provocaram, e provocam ainda, ainda temores sobre o risco de implosão da paridade cambial argentina. Mas a resposta para isso veio, em parte, nos primeiros 100 dias de governo. O presidente argentino, sustentado por uma aliança de partidos de esquerda e centro-esquerda e com mairia relativa no Congresso, coneguiu aprovar um conjunto de medidas na área fiscal que permitirão, segundo cálculos preliminares, arrecadar uma receita complementar de US$ 2,5 bilhões. A Aliança conseguiu ainda um acordo com as províncias, a maioria governadas por peronistas, com o qual o governo federal poderá reduzir e congelar os recursos destinados para esses Estados argentinos. De la Rúa conseguiu também aprovar na Câmara a reforma trabalhista, hoje tramitando no Senado. Se confirmada, a nova lei tornará os contratos de trabalhos mais flexíveis, permitindo por exemplo, negociações coletivas entre as empresas e os empregados. A lei prevê ainda contratos temporários de seis meses sem encargos trabalhistas e sem custos de demissão e a contratação de novos empregados com encargos de 12%, abaixo dos 18% atuais. A idéia é reduzir o desemprego, que já chegou à casa dos 16%, extraoficialmente. As novas medidas, já aprovadas e todas elas em marcha, trouxeram alguns frutos. A Standard & Poor's, por exemplo, reviu a perspectica para a Argentina de negativa para estável. A taxa de captação de recursos caiu em dois pontos porcentuais, para uma média de apenas 8%, o que deve provocar considerável redução nas taxas de juros internas. Todas essas medidas, consideradas antipopulares pela oposição, não prejudicaram a imagem de Fernando de la Rúa. Pelo contrário, depois de ter sido eleito com 48% dos votos em outubro do ano passado, o índice de popularidade do presidente pulou para 75%. De la Rúa, autoclassificado de chato, vem cultivando seu sucesso com atitudes mais austeras e com a promessa de combater duramente a corrupção e a sonegação de impostos. O presidente quer reaver, por exemplo, boa parte dos US$ 20 bilhões a US$ 25 bilhões por ano que o governo perde com a sonegação fiscal. Somente em IVA (Imposto sobre o Valor Agregado), o Estado argentino deixa de arrecadar cerca de US$ 9 bilhões. Os impostos trabalhistas não recolhidos chegam a 50% do total e os do lucro das empresas são quase incalculáveis, segundo a receita argentina.

mockup