Novas metas, mais baixas, para o colesterol ruim (LDL) e o triglicérides. É o que propõe uma revisão da Sociedade Brasileira de Cardiologia publicada no mês passado na revista Arquivos Brasileiros de Cardiologia. A vantagem da nova conduta é trazer mais segurança no diagnóstico médico e na prevenção de infarto.
O cardiologista Ricardo José Rodrigues, de Londrina, explica que a deposição de gordura nas artérias começa cedo, já na infância. Um estudo chamado Bogalusa mostra que 10% das crianças e adolescentes, com idade entre dois e 15 anos, já tem estria de gordura nas coronárias. Número que salta para quase 80% nos indivíduos com idade entre 26 e 39 anos.
Com o passar do tempo e de acordo com o estilo de vida, vão se formando placas, que aumentam o calibre da artéria, mas diminuem o espaço por onde circula o sangue. Se a placa de gordura se rompe, ocorre uma reação inflamatória, capaz de desenvolver um coágulo. E é isso que vai obstruir a artéria, impedindo parcialmente ou totalmente a passagem do sangue. A obstrução total causa infarto e possivelmente morte súbita.
Hoje, há instrumentos para prever o risco de obstrução das artérias, que consideram fatores de risco como idade, sexo, nível de colesterol bom (HDL) e ruim (LDL), triglicérides e tabagismo. Considerando tudo isso, o paciente pode ter baixo, intermediário, ou alto risco de um infarto. ''Só que esse escore falha em 20% das vezes'', diz.
E é para ''compensar'' essa falha que vem a proposta de baixar ainda mais as metas de colesterol ruim (LDL) e triglicérides, além de considerar outros fatores, como histórico familiar de doença arterial crônica prematura, albuminúria na urina e hipertrofia do ventrículo. Para pacientes de alto risco, com mais de 20% de chance de ter um evento cardiovascular em 10 anos, a meta de colesterol ruim (LDL) diminuiu de 130 para menos que 100. E aqueles que já tem aterosclerose manifesta viram sua meta de LDL diminuir para menos que 70. ''São novos instrumentos que melhoram o diagnóstico de risco, preenchendo aquela 'lacuna' que o escore não pegava. E para o paciente é importante porque ele entende onde tem que chegar'', afirma Rodrigues.
Outro estudo, do americano Lloyd-Jones, publicado na revista Circulation, em 2006, mostra a importância de se controlar os fatores de risco, como hipertensão arterial, diabetes, colesterol e tabagismo. Ele estudou indivíduos dos 50 aos 90 anos de idade, e mostra que em homens de 50 anos que não apresentam nenhum fator de risco, as chances de um infarto são de 5%. Enquanto, com dois ou mais fatores, as chances aumentam para 69%.
Rodrigues também chama a atenção para o estresse, que acelera a inflamação nas artérias, e pode levar o entupimento da artéria de uma fase crônica para a aguda. Uma pesquisa de 2004 publicada na revista The Lancet mostra que as situações de estresse aumentam em 2,6 vezes as chances de formação de coágulo e de um evento cardiovascular.

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