Metas de inflação vão ser baseadas em dois cenários
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domingo, 27 de junho de 1999
Por Cleide Sánchez Rodríguez 
São Paulo, 28 (AE) - O Banco Central (BC) vai trabalhar com dois cenários de taxas de juros no regime de metas inflacionárias, que devem ser divulgadas até quarta-feira. O primeiro cenário vai trabalhar com a taxa básica dos juros brasileiros determinada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que se reúne mensalmente. No segundo caso, o BC vai levar em conta as taxas de mercado.
A idéia, segundo informou o diretor do BC, Sérgio Werlang, é divulgar as estimativas de taxas no fim de cada trimestre, nos relatórios trimestrais sobre as metas inflacionárias, que serão produzidos pela autoridade monetária. Segundo afirmou, esse método será educativo para os agentes econômicos "mostrarem as diferenças entre elas" e as perspectivas de queda de cada uma.
Isso vai ser importante porque a taxa do sistema financeiro é formada a partir de uma série de fatores que não são controlados diretamente pelo BC, tais como margem de lucro, risco de crédito e expectativas quanto ao desempenho futuro da economia.
Divulgar cenários de taxas de juros vai ajudar a tornar ainda mais transparente todo o sistema, de acordo com o diretor do BC. As primeiras metas de inflação do sistema, que entra em operação no segundo semestre, vaõ ser conhecidas nos próximos dias, por meio de uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN).
A taxa de juros será o principal instrumento do governo para atingir as metas, pois ela permite controlar o nível da atividade econômica e de preços com maior eficiência.
O BC também vai lançar mão de outros instrumentos de política monetária, como os recolhimentos dos depósitos compulsórios e a política de crédito. Neste caso, de acordo com Werlang, elas poderão ser utilizadas somente para afrouxar e não para apertar ainda a liquidez e as restrições de crédito já existentes, o que afetaria a demanda. Ele destacou, entretanto, que isso aconteceria somente no médio prazo. "Se houver necessidade, somente mais para frente vamos utilizar tais instrumentos", disse.
Com isso, o instrumento principal vai ser mesmo a taxa de juros e de curto prazo, descartando a possibilidade de haver metas monetárias ou intervenções no câmbio.
O diretor do BC disse que os relatórios trimestrais de acompanhamento das metas vão ter uma parte considerável de análises da conjuntura brasileira e de como essas questões vão afetar o cumprimento das metas. O governo vai trabalhar com todas as projeções de inflação, tanto do mercado financeiro como do próprio BC, com os devidos desvios e ressaltou que não vai haver expurgos, além de dois modelos macroeconômicos para checagem das metas de longo prazo e oito modelos estatísticos.


