Metas da inflação alimentam indexação, diz economista
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quarta-feira, 30 de junho de 1999
Por Carla Franco 
São Paulo, 01(AE) - O secretário adjunto da Secretaria de Economia e Planejamento de São Paulo, Carlos Antonio Luque, considerou "factíveis" as metas de inflação divulgadas ontem (30) pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, para 1999, 2000 e 2001, de 8%, 6% e 4%, respectivamente. Luque, entretanto, manifestou sua preocupação com a divulgação das metas por considerar a prática um "resquício de uma cultura inflacionária muito forte".
"Ao divulgar metas de inflação, estamos eventualmente alimentando a indexação da economia", afirmou o economista. Luque participa hoje da divulgação dos Indicadores DIESP nº 72, da Diretora de Economia do Setor Público e da Fundação do Desenvolvimento Administrativo (FUNDAP). Com o tema "Reforma Fiscal e Distribuição de Renda", os indicadores ressaltam a necessidade das reformas estruturais e apontam a má distribuição de renda como um dos principais problemas da economia brasileira.
"Infelizmente, ao longo de todo o nosso processo de crescimento econômico, não conseguimos produzir uma distribuição de renda mais equitativa, que certamente teria evitado uma série de problemas sociais que fazem parte do nosso cotidiano", observa Luque no texto de abertura dos Indicadores de maio e junho. Ele, entretanto, defendeu uma maior participação do setor privado no processo de desenvolvimento econômico. "o desenvolvimento não pode ser unicamente de responsabilidade do setor público", afirmou.
Para o editor da publicação do DIESP, Fernando Sampaio, o alto déficit em conta corrente continua sendo um dos principais problemas da conjuntura econômica. "A tendência de que o déficit em conta corrente persista relativamente elevado traz diversas possíveis implicações", sustenta Sampaio. Entre outros problemas, ele aponta dificuldades na retomada de um "crescimento rigoroso e sustentado" da economia.


