Metalúrgicos votam no dia 27 proposta de lay off da Ford
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domingo, 17 de outubro de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 18 (AE) - A proposta da Ford de estender até julho o sistema de lay off (afastamento temporário de empregados) só será votada pelos 1.080 trabalhadores que estão em casa no próximo dia 27, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A informação é do coordenador da comissão de fábrica, Rafael Marques da Silva Jr. Segundo ele, como o programa de demissão voluntária (PDV) está atrelado ao lay off, o voluntariado só deverá efetivamente começar depois que a proposta for aprovada.
Idealizada pelo novo presidente da Ford Brasil, Antonio Maciel Neto, que está imprimindo à sua gestão na Ford o estilo que o marcou nas empresas em que trabalhou - Cecrisa e Ferronorte -, a proposta de PDV vinculada ao lay off tem a característica de estimular a saída voluntária dos que estão em casa há um ano. Se der certo, a estratégia vai por fim a um problema que a Ford vinha arrastando desde o final do ano passado sem a menor perspectiva de solução.
O lay off começou com 1.700 metalúrgicos. Parte aceitou o pacote de demissões voluntárias lançado no início do ano, que previa o pagamento de quase meio salário por ano de casa. Levou vantagem quem permaneceu no lay off. O total que o trabalhador que ficou em casa recebeu, até agora, equivale ao que tinha 22 anos de casa e saiu na época.
Segundo o diretor do sindicato, Tsukassa Isawa, a média de tempo de casa na Ford de São Bernardo do Campo soma 13 anos. "Nunca o movimento sindical registrou um caso destes, de afastamento remunerado por tanto tempo", destaca Isawa. No meio do caminho, houve quem arranjou emprego em outra montadora e resolveu sair. Mas a maioria está fazendo bicos.
No final das contas, quem ficou em casa chegou a receber mais do que quem trabalhou porque não tem descontado no holerite despesas como transporte e alimentação. Mas tem a assistência médica garantida. Por outro lado, perdeu depósito de FGTS, 13º salário e férias. A Ford também reduziu o salário de quem está no lay off para 90%.
E vai, se a proposta que fez for aceita pelos trabalhadores, continuar reduzindo o ordenado gradativamente, ao ritmo de 10% ao mês até o valor chegar a 50%. Mas o grande trunfo da proposta da Ford, que deve garantir a saída dos empregados antes de o lay off terminar é a antecipação do pagamento dos salários até julho para quem aderir ao PDV.
Quem recebe o salário médio da Ford levaria, se aceitasse sair hoje, R$ 6.576 (total da remuneração a ser paga entre outubro e julho). Se sair no próximo mês, leva R$ 5.480. O prêmio, se a adesão for em dezembro, vai para R$ 4.495. Os valores decrescem em janeiro (R$ 3.616), fevereiro (R$ 2.850), março (R$ 2.192), abril (R$ 1.644), maio (R$ 1.96) e junho (R$ 548).
"Foram semanas de negociação e mostramos para os dirigentes do sindicato como está o mercado e a nossa participação nele", destaca Maciel. "Mostramos que não precisamos de mais gente", conclui o presidente da Ford, que tem 9 mil empregados sem contar o pessoal afastado. "É muito difícil que o trabalhador que está no lay off volte para a fábrica", acrescenta.
Mas os dirigentes sindicais estão tentando fazer a empresa readmitir pelo menos uma parte deste pessoal. Perto de 180 já estão garantidos com o fim de alguns serviços que estavam terceirizados. Mas o sindicato quer mais. Isawa diz que a média de produção diária aumentou de 480 a 500 para 635 a 650 veículos por dia. Mas Maciel diz que não haverá recontratações além dos terceirizados. O lay off terminaria em novembro em São Bernardo do Campo e em fevereiro para os cerca de 300 operários da fábrica de caminhões do Ipiranga que estão no mesmo sistema.


