Curitiba- O Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região Metropolitana inicia hoje uma campanha para que os filiados que necessitam de perícia médica no Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) para receber auxílio financeiro por doença ou por acidente de trabalho entrem com ações judiciais para garantir o pagamento dos benefícios.
De acordo com o diretor de Saúde do sindicato, Núncio Mannala, a greve dos peritos médicos está prejudicando os trabalhadores. Diariamente, são registradas mais de 50 ligações com reclamações ou informações sobre os benefícios.
Durante a campanha serão distribuídos panfletos informativos em frente às agências do INSS. A estimativa do sindicato é de que cerca de 20 mil pessoas, em geral, estão deixando de ser atendidas por causa da greve que dura 57 dias no Paraná. ''Não podemos mais esperar. Temos que entrar com ações e garantir esse benefício que é de todo o trabalhador. As famílias não podem esperar a greve terminar para receber o benefício. As contas de água e luz estão vencendo. As compras de alimentação precisam ser feitas'', apontou Mannala.
A partir de hoje, uma equipe de advogados vai estar à disposição para atender os metalúrgicos com direito ao benefício. O advogado Luiz Carlos Rocha pretende entrar com as ações na Justiça Federal assim que as primeiras reclamações sejam protocoladas.
Para ter direito à ação, que será feita sem qualquer ônus ao trabalhador, basta entregar um atestado médico, protocolo do pedido do benefício junto ao INSS, cópia do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) e do documento de Registro Geral (RG). ''O trabalhador que vai ao INSS quer uma definição rápida. Vamos buscar essa definição'', avisou o advogado. Ele espera entrar ainda essa semana com as primeiras ações.
O sindicato atende diariamente pelo telefone (0xx41) 219-6400, das 8 horas às 18 horas, na Rua Lamenha Lins, 981, bairro Rebouças, em Curitiba. ''Vamos fazer os atendimentos inclusive para os trabalhadores do interior do Estado. Não dá para aceitar que um trabalhador aguarde entre 60 e 90 dias para ter a perícia médica programada efetivamente'', afirmou Sérgio Butka, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos.
A assessoria de imprensa do INSS informou ontem que não irá se pronunciar sobre as ações até que o instituto seja acionado judicialmente. No entanto, a assessoria negou que os atendimentos de primeira perícia (para a concessão do benefício) estejam demorando entre 60 e 90 dias. Esse tipo de atendimento, segundo o INSS, estaria tendo prioridade, sendo realizado pelos médicos credenciados no prazo médio de 30 dias. Apenas as remarcações de perícias de pessoas que já estão recebendo benefícios é que estariam sendo agendadas para março e abril.
No Paraná, cerca de 860 pessoas por dia deixam de ser atendidas pela perícia médica do INSS. Em janeiro desse ano foram requeridos 7.170 benefícios e concedidos nesse período 4.053 benefícios. Em janeiro de 2003, foram requeridos 12,3 mil benefícios e concedidos 6.264.
Em Londrina, segundo informação do instituto, mais de 1900 processos estão parados por falta de perícia.

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