Metalúrgicos querem política nacional de salários
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domingo, 01 de agosto de 1999
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 2 (AE) - Metalúrgicos das fábricas de automóveis e de caminhões de todo o País pretendem cruzar os braços no dia 24 deste mês, em protesto contra os maus efeitos da guerra fiscal entre estados e municípios nos salários e direitos dos trabalhadores do setor. Se a adesão for total, 83 mil trabalhadores participarão do movimento. A greve deve durar apenas um dia.
A exigência da categoria é de que as empresas negociem um contrato nacional de trabalho, que fixe níveis mínimos de remuneração e de benefícios, segundo o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Carlos Alberto Grana.
Com o verdadeiro leilão de terrenos, financiamentos a juros baixos e incentivos fiscais concedidos pelos governos para atrair empresas desse setor, está havendo uma descentralização da produção. E quanto mais as montadoras migram para outros estados e para municípios do interior, menos se paga pelo trabalho especializado dos metalúrgicos, lembrou o sindicalista.
A paralisação foi decidida hoje por representantes de 10 sindicados, que se reuniram na sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em São Paulo. Falta a adesão de sindicatos de São Paulo (onde está a Ford Ipiranga) e de São Caetano do Sul (onde está uma das fábricas da General Motors), controlados pela Força Sindical. Grana já está procurando as lideranças para propor um movimento unificado e dá como certa a participação deles.
Com a guerra fiscal e a instalação de montadoras fora do eixo ABC-São Paulo, os salários da categoria começaram a cair, assim como os seus direitos. A Fiat, em Betim (MG), já paga entre 30% e 40% a menos do que a Volkswagen em São Bernardo do Campo (SP), por exemplo.
Os salários também são menores na nova unidade da Mercedes-Benz, em Juiz de Fora (MG), em relação à fábrica do ABC Paulista. Ou na própria Volkswagen, em Resende (RJ) e São Carlos (SP), na comparação com São Bernardo do Campo. Nas montadoras que estão se instalando no Sul do País - Chrysler, Audi e Renault, por exemplo, todas no Paraná - a história repete.
"Estamos também preocupados com estrago que a instalação da Ford na Bahia fará nas conquistas dos trabalhadores do setor", afirmou Grana. A Ford em Camaçari (BA) será a primeira montadora a se instalar no Nordeste.


