Metalúrgicos querem fechar acordo mesmo sem Minas Gerais
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de fevereiro de 1999
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 11 (AE) - Mesmo que o governo de Minas Gerais não aceite reduzir o ICMS cobrado dos veículos, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, vai lutar para fechar o acordo de emergência para escoamento do estoque das montadoras. A reunião final será amanhã, no Ministério da Fazenda, em São Paulo, entre representantes do governo, da indústria automobilística e de vários sindicatos de trabalhadores.
Marinho foi encarregado de procurar o governador mineiro
Itamar Franco, e convencê-lo a seguir todos os outros Estados, concedendo redução do ICMS de 12% para 9%. O governo federal já aceitou diminuir o IPI. Até o início da noite de hoje, o sindicalista não havia conseguido contato direto com o governador, mas estava otimista. "Não é possível que somente Minas Gerais fique fora do acordo", disse. Segundo informações do sindicato, a direção da Fiat, que tem fábrica em Betim (MG), também estava empenhada em conseguir a adesão daquele Estado.
Marinho tem a seu favor o fato de a CUT e o PT terem apoiado a moratória mineira e defendido Itamar Franco da acusação de ter sido o responsável pelo agravamento da crise econômica e da fuga de reservas do país.
Ford - A fábrica de São Bernardo do Campo da Ford só vai produzir por mais quatro dias este mês. Os empregados serão dispensados na semana que vem inteira e nos dias 25 e 26. A empresa vai montar apenas dois mil veículos em fevereiro, mil a menos do que o programado. Desde janeiro, a Ford deixou de produzir quatro mil veículos de sua programação para o bimestre, que já era muito baixa.
O Programa de Demissões Voluntárias (PDV), aberto na semana passada pela montadora, teve 75 adesões até hoje, segundo a comissão de fábrica. O voluntariado ficará aberto até o dia 18 e a esperança da Ford - que suspendeu 2,8 mil demissões - e do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC era de que o número de pessoas interessadas fosse maior do que mil. No dia 23, as negociações sobre o pessoal excedente serão retomadas.


