Metalúrgicos preparam piquete contra trabalho extra no sábado
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segunda-feira, 12 de abril de 1999
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 13 (AE) - O Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul (SP), filiado à Força Sindical, pretende impedir a realização de trabalho extra na General Motors no próximo sábado. O presidente da entidade, Aparecido Inácio da Silva, informou hoje que a montadora convocou quase 4 mil funcionários para fazer horas extras. "A alegação é de que estaria havendo uma bolha de consumo no mercado", disse o sindicalista.
Ele se recusa, contudo, a aceitar o trabalho extraordinário numa empresa que está mantendo 625 funcionários afastados com redução de salários (pelo sistema lay off) há mais de um mês. O lay off está programado para durar até junho e Inácio quer a reintegração dos 625 que permanecem em suas casas, recebendo apenas 80% dos salários, fora prejuízos em direitos como FGTS.
No sábado, ele pretende formar piquetes com afastados e seus familiares, a partir de 6 horas da manhã, para impedir a entrada dos funcionários.
A Confederação Nacional dos Metalúrgicos da Central Única dos Trabalhadores (CNM-CUT) já havia entrado na briga para evitar a realização de horas-extras na montadora. O coodenador do escritório da CNM em São Caetano do Sul, Turíbio Liberato, e o diretor da entidade, Marcelo Toledo, nunca concordaram com o afastamento dos empregados da General Motors e com a redução de salários.
Eles chegaram a conseguir no Ministério Público do Trabalho uma determinação para que pelo menos os metalúrgicos com direito a estabilidade fossem reintegrados. "A CUT não vai admitir que as empresas optem pela hora-extra ao mesmo tempo em que estão afastando e reduzindo salários dos metalúrgicos", protestou Liberato.
Reajuste - Força Sindical e CUT estão reivindando reposição de perdas salariais na General Motors. Em reunião hoje com a direção da empresa, o presidente do sindicato cobrou 5,25% de reajuste salarial por conta de perdas acumuladas de novembro de 1997 até março deste ano - no ano passado, não houve aumento nem mesmo na data-base, em novembro. A reivindicação foi recusada. "Vamos promover protestos poderemos até programar paralisações nas próximas semanas", disse Inácio.


