Metalúrgicos negociam com a Volks e culpam CUT por "tartaruga"
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segunda-feira, 20 de março de 2000
Por Kelly Lima 
Ribeirão Preto, SP, 21 (AE) - O vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Carlos, Rosalindo Jesus de Barros, que está negociando com a Volkswagen o acordo salarial, disse hoje que a decisão da categoria é aguardar pela reunião de negociação que deve ocorrer na próxima sexta-feira (24). Ele disse que a operação tartaruga, que deu origem à demissao de 22 funcionários e à ameaça da empresa de fechar a unidade em São Carlos, já foi encerrada e a linha de produção estava normalizada desde o final da tarde de ontem.
No total, segundo ele, a empresa deixou de produzir 870 motores de um total de 1.200 por dia. O vice-presidente do sindicato, que é ligado à Social Democracia Sindical (SDS), atribuiu a operação tartaruga e também a rejeição de propostas feitas pelas empresas por parte dos funcionários à influência exercida pela Central Unica dos Trabalhado res (CUT) sobre os funcionários da Volks. Segundo ele, as negociações para a composição de um novo banco de horas estavam correndo bem, até que a CUT, que lidera a categoria em Campinas e Limeira, realizou assembléias na porta da fábrica em São Carlos, criticando a composição de um banco de horas.
Para Barros, o banco de horas seria necessário no caso dos trabalhadores de São Carlos porque ele já existia anteriormente e, quando foi extinto, em dezembro de 99, deixou um volume de dívida muito elevado para que os trabalhadores pagassem. "Existem casos de trabalhadores que devem até cem horas para a empresa. Isso é inviável", disse ele. A negociação com a Volks, segundo ele, inclui a elevação do piso salarial, que seria equiparado ao de São Bernardo do Campo. "Mas isso pode ser negociado", comentou. Para o sindicalista, as ameaças do diretor de Recursos Humanos da Volks sobre o fechamento da empresa são "infundadas". "Houve investimentos para a unidade e, além disso, a empresa recebeu uma série de incentivos para se instalar por aqui. Também não acredito que ela descarte a mão-de-obra especializada, altamente capacitada que existe na cidade", comentou.
Para Barros, existem pelo menos dois motivos que podem estar influenciando a ameaça da Volkswagen de fechar sua unidade na cidade. A fábrica de motores está sendo alvo de dois processos. Nos últimos seis meses, todas as decisões envolvendo esses processos foram desfavoráveis à empresa. Em uma delas, de outubro do ano passado, o Tribunal de Justiça do Estado de Sao Paulo considerou ilegal a doação do terreno, feita pela prefeitura para a construção da fábrica, ocorrida em 1996.
A decisão, da qual a Volks recorreu, determinava a devolução da área ou o imediato pagamento por ele aos cofres públicos. Já este ano, em fevereiro, a 3ª Vara Cível do município determinou que a Volks e a prefeitura realizassem em seis meses estudo de impacto ambiental na área em que a fábrica fora construída, alegando que a área era uma APA (Area de Preservaçao Ambiental), considerada uma das últimas regiões remanescentes de cerrado no Estado.
Segundo o sindicalista, a unidade da Volks, que possui cerca de 450 funcionários, está longe de ser a maior base representativa da categoria na cidade, que possui dez mil metalúrgicos. As maiores empresas são a Tecumseh Compressores, com 1.800 trabalhadores, e a Electrolux, com 1.100.


