São Paulo, 22 (AE) - Metalúrgicos da Força Sindical e da Central Única dos Trabalhadores (CUT) realizam amanhã, na fábrica da Volkswagen, em Resende (RJ) a primeira de uma série de paralisações para forçar as montadoras a negociarem um contrato nacional de trabalho. Com a greve de um dia, a empresa deixará de produzir 85 caminhões e ônibus.
Deixaram São Paulo hoje entre 10 e 15 ônibus com trabalhadores e sindicalistas da capital e do ABC para participar de uma passeta em frente à fábrica. Estarão presentes o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva e o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho.
Pelo cronograma das centrais, na próxima quinta-feira a greve será na Fiat, em Betim (MG). Nas fábricas de São Paulo o movimento será do no dia 7 de outubro, do Paraná no dia 14, em Santa Catarina no dia 21 e no Rio Grande do Sul no dia 28.
Segundo Paulinho, o contrato nacional evitaria que as montadoras fechassem fábricas em uma região para pagar salários defasados em outra. O contrato prevê piso salarial unificado por função, garantia de emprego e reajuste salarial de 10% para os 260 mil trabalhadores das montadoras e autopeças.
Hora-extra - A pouco mais de uma semana do fim do acordo de emergência que reduz os preços dos automóveis as montadoras vêm tentando, sem sucesso, aumentar a produção por meio de horas-extras. A Volkswagen queria que os operários trabalhassem oito sextas-feiras consecutivas desde a semana passada, mas não chegou a um acordo com a Comissão de Fábrica.
A empresa está mantendo a semana de trabalho de quatro dias (de segunda a quinta-feira) desde janeiro. A Ford pretendia convocar funcionários para cinco sábados consecutivos de trabalho, a partir do próximo fim de semana, mas também não chegou a um entendimento com os representantes dos metalúrgicos.
As empresas alegam aumento de demanda. Para aceitar a proposta, operários da Volks querem o início da semana de trabalho de 40 horas. As partes voltam a negociar terça-feira.
O coordenador da Comissão de Fábrica da Ford, Rafael Marques, disse que os trabalhadores aceitam discutir as horas-extras durante cinco sábados, mas querem definir o valor da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) deste ano.
A convocação para horas-extras ocorre num momento em que ambas as duas empresas alegam terem excedente de funcionários. No caso da Volks já estava definido, desde o fim de 98, que mil funcionários deixarão a empresa em dezembro.
A maior parte é de trabalhadores já aposentados e alguns que entrarão em programa de voluntariado. Em 2000, outro grupo de mil funcionários deixará a fábrica de São Bernardo do Campo nas mesmas condições.
O acordo feito com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC no ano passado evitou a demissão imediata de 7,5 mil trabalhadores, mas prevê a redução gradual de 5 mil postos de trabalho até 2003 por meio de voluntariado e desligamento de aposentados com mais de 45 anos de idade. Já a Ford tem 1.005 funcionários afastados pelo sistema de lay-off (demissão temporária) e ainda não definiu o que fará.

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