Metalúrgicos fazem protesto contra reajuste de preços de carros
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terça-feira, 04 de maio de 1999
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 05 (AE) - Os metalúrgicos do ABC começarão a protestar cedo, amanhã, contra o aumento de preços dos veículos e o fim do acordo de redução de impostos para o setor e de manutenção do emprego dos metalúrgicos. As manifestações devem ocorrer nas montadoras, com greve de um dia ou paralisações parciais, passeatas dentro das fábricas ou nas imediações e uma possível interdição da Via Anchieta. Hoje o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, disse ter obtido, em conversa telefônica, promessa do presidente Fernando Henrique Cardoso de que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio convocará uma negociação com as montadoras e os trabalhadores para tentar salvar o acordo.
Hoje sindicalistas tiveram um dia tenso, com boatos e ameaças veladas de demissões. O secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Eleno José Bezerra, informou que foi procurado por cinco indústrias de autopeças, de médio e grande porte, parar tratar da demissão de algo entre 10% e 15% do efetivo, assim que acabar o prazo de garantia no emprego - até o final deste mês - previsto no acordo. Uma pequena fábrica de componentes, a Metalpol, já demitiu 10 pessoas hoje mesmo, segundo Bezerra.
O dia foi também de informações desencontradas na Ford de São Bernardo do Campo, que tem 1,3 mil empregados afastados. Segundo a comissão de fábrica, os afastados estão fazendo cursos de qualificação profissional na empresa e teriam sido informados
durante as aulas, que não retornariam a seus postos de trabalho após o fim do afastamento, em junho. Além desse desligamento em massa, a montadora estaria prevendo outras 350 demissões.
A empresa negou que já tenha tomado decisão sobre os excedentes e informou que desconhece o número de novas demissões que chegou ao conhecimento da comissão. A assembléia na Ford está marcada para 6h30 e os empregados devem optar por passeatas dentro da fábrica ou manifestações de rua nas imediações do prédio da diretoria.
Volkswagen - O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, lidera assembléia na Volkswagen a partir de 5 horas e decidirá com os trabalhadores se haverá ou não paralisação da Via Anchieta para o protesto contra aumento de preços e o consequente fim do acordo. Marinho reagiu às informações da empresa sobre o aumento do número de trabalhadores excedentes e a possibilidade de demissões. "Temos um acordo com validade de cinco anos na Volks para evitar demissões", disse. Este acordo reduziu salários e definiu critérios de desligamento de aposentados.
Segundo a Volkswagen, sem a redução de impostos o ano deve fechar com algo em torno de um milhão de veículos de todas as marcas vendidos no País. Um mercado assim deprimido, de acordo com o vice-presidente de Recursos Humanos da montadora, Fernando Tadeu Perez, terá como consequência um aumento da ociosidade na fábrica de São Bernardo do Campo - cerca de quatro mil dos 19,5 mil funcionários passariam a ser considerados excedentes.
GM - A manifestação na fábrica da General Motors de São Caetano do Sul está programada para sexta-feira, às 10h. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul, Aparecido Inácio da Silva, da Força Sindical, deve interromper o trânsito na Avenida Goiás, a principal da cidade.


